Planejamento sucessório: o que é, por que fazer e principais instrumentos

Pessoa analisando documentos financeiros e computador em mesa de trabalho, representando planejamento sucessório e organização patrimonial

 

O planejamento sucessório é uma estratégia que tem o objetivo de garantir a proteção do patrimônio familiar, evitando conflitos e assegurando uma transição tranquila entre gerações.

 

Com o aumento da busca por soluções financeiras que promovam segurança e continuidade, muitas famílias no Brasil têm percebido o valor dessa prática.

 

Neste artigo, vamos explicar tudo sobre o assunto. Continue a leitura para conferir o que é planejamento sucessório, quais seus benefícios, principais instrumentos, como podemos te ajudar a implementar e mais!

 

O que é o planejamento sucessório?

O planejamento sucessório é o conjunto de estratégias e instrumentos legais utilizados para organizar a transferência de bens e direitos de uma pessoa para seus herdeiros ou sucessores.

 

Através do planejamento sucessório é possível preservar o patrimônio e realizar, posteriormente, uma distribuição justa, antecipando a vontade do titular e protegendo os interesses da família.

 

No contexto brasileiro, a ausência de planejamento pode resultar em longos processos de inventário, custos elevados e até mesmo disputas judiciais entre herdeiros. Por isso, é cada vez mais importante que as famílias considerem essa abordagem como parte de sua estratégia.

 

Além disso, o planejamento sucessório não se limita à divisão de bens. Ele pode incluir a definição de estratégias para a continuidade de empresas familiares e a proteção de ativos contra riscos externos, garantindo que a sucessão ocorra de maneira eficiente e harmoniosa entre as partes envolvidas.

 

– Leia também: Wealth Management: o que é, como funciona e vantagens da gestão de fortunas

 

Planejamento patrimonial e sucessório: qual a relação?

Embora sejam conceitos complementares, é comum haver confusão entre o planejamento patrimonial e o sucessório. Enquanto o planejamento sucessório foca na transferência dos bens, o planejamento patrimonial dedica-se à organização e proteção desses ativos em vida.

 

Na prática, eles caminham juntos. Um planejamento patrimonial bem estruturado é a base para que a sucessão ocorra sem sobressaltos. Ao organizar o patrimônio hoje, identificando gargalos tributários, protegendo ativos contra riscos operacionais e otimizando a rentabilidade dos investimentos, você prepara o terreno para que, no futuro, a partilha seja feita sobre um patrimônio sólido e já regularizado.

 

Portanto, entender essa relação é fundamental: o foco não deve ser apenas “quem recebe o quê”, mas sim como garantir que o patrimônio chegue aos herdeiros de forma íntegra, eficiente e com o menor impacto financeiro possível.

 

– Leia também: Blindagem patrimonial familiar: entenda o que é e como fazer

 

Benefícios do planejamento sucessório

O planejamento sucessório oferece uma série de vantagens que vão além da simples organização patrimonial. Entre os principais benefícios estão:

 

  • Eliminação de conflitos familiares: Quando a divisão de bens é definida previamente, pode reduzir significativamente a possibilidade de desentendimentos entre os herdeiros. Isso é especialmente relevante em famílias com estruturas complexas ou com múltiplos interessados;
  • Redução de custos: Um planejamento sucessório bem alinhado ao financeiro permite uma transferência de patrimônio mais eficiente, otimizando a carga tributária e evitando custos elevados que poderiam comprometer os bens a serem transmitidos. Estratégias como alocação de recursos em ativos financeiros mais eficientes ou a diversificação de investimentos podem ser usadas para minimizar os gastos associados ao processo;
  • Preservação do patrimônio: Incorporar o planejamento sucessório ao planejamento financeiro pessoal e familiar é essencial para proteger o patrimônio contra riscos como descapitalização ou má alocação de recursos. Com estratégias bem definidas, é possível assegurar que os bens sejam transmitidos de forma otimizada, garantindo a sua valorização e continuidade ao longo das gerações;
  • Continuidade da gestão familiar: Para famílias que possuem empresas, o planejamento sucessório, em conjunto com o planejamento financeiro, é essencial para garantir a continuidade dos negócios e a manutenção da governança corporativa. Isso garante a sustentabilidade das operações e evita impactos negativos na liquidez ou no fluxo de caixa durante a transição.

 

Principais instrumentos de planejamento sucessório

O planejamento sucessório pode ser implementado por meio de diferentes ferramentas legais, cada uma com características específicas.

 

Entender as particularidades de cada instrumento é essencial para selecionar aqueles que melhor atendam às necessidades e objetivos da família.

 

Antes de listarmos os principais instrumentos de planejamento sucessório, é preciso lembrar que todos eles podem ter pontos positivos e negativos, além de algumas limitações.

 

Dessa forma, é importante contar com o auxílio de algum profissional apoiando a escolha por determinada forma.

 

1. Previdência privada

A previdência privada desempenha um papel importante no planejamento sucessório, especialmente nos casos em que o titular deseja garantir a segurança financeira dos beneficiários. Entre os aspectos relevantes estão:

 

  • Designação de beneficiários: A previdência permite a designação direta de beneficiários, facilitando a transferência de recursos sem a necessidade de inventário. Essa escolha pode ser alterada conforme mudanças na família;
  • Liquidez imediata: Os recursos são transferidos diretamente aos beneficiários, sem passar pelo processo de inventário,  garantindo acesso rápido ao patrimônio;
  • Flexibilidade tributária: Modalidades como VGBL e PGBL oferecem diferentes vantagens fiscais, permitindo adequação às necessidades do titular.

 

2. Investimentos em offshores

Offshores são ferramentas para diversificação patrimonial e podem ter um papel relevante no planejamento sucessório. Por meio da constituição de empresas ou contas em outros países, é possível alocar recursos em mercados mais estáveis ou com estruturas fiscais mais favoráveis. Essa estratégia pode trazer vantagens como:

 

  • Proteção patrimonial: Ao investir em ativos localizados no exterior, é possível diluir riscos associados a oscilações econômicas ou políticas do país de origem;
  • Eficiência tributária: Dependendo da jurisdição escolhida, os custos relacionados à sucessão, como impostos sobre herança ou transferências, podem ser reduzidos.

 

É importante ressaltar que o uso de offshores deve ser sempre realizado de forma transparente e alinhado às regulamentações locais e internacionais, com o apoio de especialistas financeiros.

 

3. Doação

A doação é uma forma de antecipar a transmissão de bens em vida. Ela pode ser feita de maneira pura (sem encargos), remunerada (em troca de serviços ou valores) ou modal (com condições impostas). Entre os principais aspectos da doação estão:

 

  • A possibilidade de reduzir custos com impostos, já que as alíquotas de ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) são, em geral, inferiores às de outros tributos sucessórios;
  • A flexibilidade para definir como e quando os bens serão transferidos, permitindo maior controle por parte do doador;
  • A necessidade de observar as regras da legítima, garantindo que os direitos dos herdeiros necessários sejam respeitados.

 

4. Holding familiar

A criação de uma holding familiar é uma estratégia avançada para a gestão e proteção de bens e empresas. Trata-se de uma sociedade criada com o objetivo de centralizar o patrimônio da família, facilitando sua administração e sucessão. Algumas das vantagens incluem:

 

  • Proteção patrimonial: A holding pode blindar os bens da família contra riscos, como ações judiciais ou credores;
  • Planejamento tributário: Permite a redução da carga tributária na transmissão de bens e na gestão do patrimônio;
  • Governança: Facilita a organização e a continuidade da gestão empresarial, garantindo que as decisões sejam tomadas de forma estruturada.

 

Embora a criação de uma holding envolva custos e certa complexidade, ela pode ser extremamente vantajosa para famílias com patrimônio expressivo ou empresas em operação.

 

5. Seguro de vida

O seguro de vida é uma ferramenta complementar no planejamento sucessório. Ele permite que os beneficiários recebam recursos financeiros de forma ágil, sem necessidade de inventário. Entre as vantagens estão:

 

  • Isenção tributária: Os valores recebidos pelo seguro de vida não estão sujeitos ao ITCMD, tornando-o uma opção atraente para a transferência de recursos;
  • Liquidez imediata: Os recursos podem ser usados para custear despesas imediatas, como impostos ou dívidas;
  • Flexibilidade: O titular pode definir livremente os beneficiários, independentemente dos herdeiros legais.

 

6. Testamento

O testamento é um documento legal no qual o titular expressa sua vontade sobre a divisão de seus bens após sua morte. Existem diferentes tipos de testamento:

 

  • Testamento público: Feito em cartório e registrado por um tabelião, garante maior segurança jurídica;
  • Testamento cerrado: Elaborado pelo titular e mantido em sigilo, sendo aberto apenas após sua morte;
  • Testamento particular: Escrito de próprio punho pelo titular, exige a presença de testemunhas para ser validado.

 

Apesar de ser uma ferramenta simples, o testamento possui limitações, como a obrigatoriedade de respeitar a legítima dos herdeiros necessários. Além disso, sua contestação pode gerar disputas judiciais, caso não seja elaborado de forma adequada.

 

Como combinar diferentes instrumentos para um planejamento mais completo?

Combinar instrumentos de planejamento sucessório é uma abordagem inteligente para maximizar os benefícios e atender às necessidades específicas de cada família, além de oferecer uma proteção robusta e uma transição patrimonial eficiente.

 

Por exemplo, um testamento pode ser utilizado para estabelecer regras claras sobre a divisão de bens imóveis, enquanto a doação em vida pode ser empregada para antecipar a transferência de certos ativos, aproveitando benefícios fiscais. Paralelamente, a criação de uma holding familiar pode assegurar a continuidade e a governança de empresas, centralizando a gestão patrimonial em uma única entidade jurídica.

 

O seguro de vida e a previdência privada são excelentes complementos para oferecer liquidez imediata aos herdeiros, garantindo que eles tenham recursos disponíveis para cobrir despesas iniciais, como impostos e custos administrativos. A previdência, em especial, pode ser usada para construir um fundo de reserva que assegure a sustentabilidade financeira dos beneficiários. Além disso, ela pode ser uma ótima opção de investimento, pois permite a acumulação de recursos ao longo do tempo com a possibilidade de escolher entre diferentes modalidades de planos, como o PGBL e o VGBL, que oferecem vantagens fiscais.

 

Outro ponto importante é considerar o impacto tributário de cada instrumento. A combinação de estratégias, como a utilização de doações e a criação de uma holding, em alguns casos, pode minimizar a carga tributária incidente sobre a sucessão, preservando uma maior parcela do patrimônio para os herdeiros.

 

Além disso, é fundamental revisar regularmente o planejamento para garantir que ele permaneça alinhado às mudanças na legislação e às circunstâncias familiares. Alterações no estado civil, no número de herdeiros ou no valor do patrimônio podem demandar ajustes nas estratégias adotadas.

 

– Leia também: Orçamento pessoal: o que é, importância, quando e como fazer

 

Como a Crescento pode ajudar no seu planejamento sucessório

Contar com o apoio de uma empresa de consultoria financeira é essencial para personalizar o planejamento sucessório.

 

Dessa forma, é possível identificar as melhores combinações de instrumentos, garantindo que as decisões tomadas atendam aos objetivos do titular e proporcionem tranquilidade para todos os envolvidos.

 

Na Crescento, entendemos que cada família é única e que um planejamento sucessório eficaz deve refletir essa singularidade.

 

Nosso trabalho de consultoria financeira pessoal sucessória começa com um estudo detalhado da sua realidade patrimonial, com foco nos ativos imobilizados e financeiros, considerando todos os aspectos que podem impactar a sucessão.

 

Organizamos os números e trazemos clareza para identificar as melhores estratégias em cada caso e buscamos as combinações que garantam a proteção do seu patrimônio e a tranquilidade da sua família.

 

Nosso objetivo é que você entenda cada decisão tomada e participe ativamente do processo, para que os resultados sejam os melhores possíveis para você e seus herdeiros.

 

– Leia também: Consultor de investimentos: o que faz e como contratar o profissional ideal

 

FAQ: dúvidas frequentes sobre o tema

Reunimos a seguir as principais  dúvidas sobre o planejamento sucessório. Confira:

 

O que é planejamento sucessório?

O planejamento sucessório é o conjunto de estratégias e instrumentos legais utilizados para organizar, ainda em vida, a transferência de bens e direitos de uma pessoa para seus herdeiros ou sucessores, com o objetivo de preservar o patrimônio, antecipar a vontade do titular e garantir que a sucessão ocorra de forma eficiente, segura e harmoniosa, evitando conflitos familiares, custos elevados e longos processos de inventário.

 

Qual é o objetivo do planejamento sucessório?
O principal objetivo do planejamento sucessório é proteger o patrimônio familiar e assegurar uma transição tranquila entre gerações, garantindo que os bens sejam transmitidos conforme a vontade do titular, com o menor impacto financeiro e tributário possível, além de reduzir riscos de disputas judiciais e preservar a continuidade de empresas familiares quando existentes.

 

O que o planejamento sucessório permite?
O planejamento sucessório permite antecipar decisões sobre a divisão de bens, proteger ativos contra riscos externos, reduzir custos tributários, garantir liquidez imediata aos herdeiros e organizar a continuidade da gestão patrimonial e empresarial, promovendo segurança financeira e previsibilidade para toda a família.

 

Planejamento patrimonial e sucessório: qual a diferença?
Enquanto o planejamento patrimonial tem foco na organização, proteção e eficiência dos bens em vida, cuidando da estrutura financeira e da gestão dos ativos, o planejamento sucessório concentra-se na transferência desses bens para os herdeiros. Na prática, ambos são complementares, pois um patrimônio bem organizado hoje é a base para uma sucessão eficiente no futuro.

 

Como fazer um planejamento sucessório?
Para fazer um planejamento sucessório é fundamental analisar a realidade patrimonial e familiar, definir objetivos claros, escolher os instrumentos mais adequados como previdência privada, doações, holding familiar, seguro de vida e testamento, além de considerar impactos tributários e jurídicos, sempre com o apoio de profissionais especializados para garantir segurança e alinhamento à legislação.

 

Quanto custa um planejamento sucessório?
O custo de um planejamento sucessório varia conforme a complexidade do patrimônio, os instrumentos escolhidos e o nível de personalização necessário, podendo envolver despesas com consultoria financeira, assessoria jurídica, impostos e custos operacionais, mas, em muitos casos, o investimento é compensado pela redução de tributos, de conflitos e de perdas financeiras no processo sucessório.

 

Considerações finais

Se você busca segurança, eficiência e um atendimento humanizado no seu planejamento sucessório, estamos prontos para ajudar. Entre em contato conosco e descubra como podemos fazer a diferença na proteção do seu patrimônio e no futuro da sua família.

Por que você não deveria investir em COEs: como evitar conflitos de interesse nas recomendações de investimentos

Você já ouviu falar ou recebeu uma oferta de COEs que parecia “boa demais para ignorar”?

 

Talvez algo como: proteção do capital, exposição internacional, potencial de ganho elevado, tudo em um único produto. Quando a recomendação vem de alguém de confiança, um assessor, uma corretora, até o gerente do banco, é natural supor que aquele COE é a melhor opção disponível para você.

 

Mas existe um ponto importante que quase nunca aparece na conversa: o COE pode ser muito mais interessante para quem vende do que para quem investe. E é justamente aí que mora o problema.

 

Os COEs se popularizaram porque carregam uma narrativa sedutora, mas, por trás da vitrine, são estruturas complexas, pouco transparentes e frequentemente associadas a conflitos de interesse que passam despercebidos pela maior parte dos investidores.

 

Antes de decidir se esse produto faz sentido para a sua carteira, vale entender como ele funciona, o que está por trás da recomendação e por que tantos investidores percebem tarde demais que compraram algo que não que não era o que esperavam.

 

Ao longo do texto, mostramos o que observar, quais perguntas fazer e como avaliar alternativas mais alinhadas ao que realmente importa: uma carteira eficiente, transparente e orientada para trazer resultados para você, investidor.

 

O apelo da engenharia financeira e a falta de transparência

À primeira vista, os COEs (Certificados de Operações Estruturadas) parecem uma solução interessante: renda fixa + derivativos + uma exposição temática “global”, muitas vezes apresentada como uma forma inovadora de diversificação.

 

Mas para o investidor, o funcionamento real do produto é pouco visível. Antes mesmo de aprofundar a análise, já surge a dúvida: por que esse COE está sendo recomendado para mim especificamente?

 

A estrutura costuma ser difícil de interpretar por causa de elementos como:

 

  • Regras específicas que definem se o retorno será pago ou não;
  • Cenários extremamente estreitos para o gatilho funcionar;
  • Detalhes técnicos de modelagem que não são apresentados de forma clara;
  • Custos embutidos que reduzem o retorno potencial.

 

Essa falta de transparência é intencional, porque o emissor entende toda a engenharia financeira, mas o investidor recebe apenas o resumo comercial. É nesse espaço de opacidade que surgem riscos que não foram mencionados no momento da recomendação.

 

 

Custos embutidos: quando o preço não aparece, mas existe

Uma das principais fontes de confusão é a ideia de que o COE “não tem taxa”. Na prática, o custo existe, só não aparece na tela. Ele está dentro da própria estrutura, isso significa que o investidor paga, mas não vê.

 

Esses custos incluem:

 

  • Remuneração da instituição emissora;
  • Comissionamento do distribuidor no momento da venda;
  • Margens embutidas nos derivativos usados para montar a estratégia;
  • Redução direta no retorno potencial do investidor.

 

Quando se analisa com cuidado, vemos que parte significativa do resultado que poderia ir para o investidor já está comprometida na origem. Isso explica por que muitos COEs terminam com ganhos baixos ou com perdas relevantes, por terem sido recomendados para pessoas com perfis inadequados para o risco.

 

Esse ponto é relevante porque, ao contrário de fundos e ETFs, onde as taxas são explícitas, aqui as comissões ficam invisíveis e entender os riscos torna-se mais complexo. Para verificar a possibilidade de redução da taxa de retorno contratada em um COE de renda fixa, por exemplo, é preciso ler com atenção todo o contrato do ativo, ou seja, a decisão do investidor quase sempre é tomada sem ter acesso a todas as informações.

Estruturas com baixa probabilidade de ganho

Outro ponto é que, para que um COE gere retorno relevante, uma sequência específica de eventos precisa acontecer dentro de um intervalo estreito. Isso significa que, mesmo em cenários positivos, o retorno pode ser anulado por detalhes como:

 

  • Volatilidade maior que a prevista;
  • Barreiras ultrapassadas antes do prazo;
  • Datas de observação desfavoráveis;
  • Movimentos de preço fora do intervalo definido;
  • Possibilidade de mudanças na taxa prometida para renda fixa.

 

Os emissores conhecem o comportamento estatístico dos ativos utilizados e constroem a estrutura para que a probabilidade de ganho seja menor do que o marketing sugere. O investidor, por outro lado, enxerga apenas o cenário ideal, que raramente se concretiza.

 

É por isso que, ao avaliar o histórico de resultados de COEs amplamente distribuídos, vemos resultados que não acompanham o discurso de potencial elevado.

 

 

O retorno histórico dos COEs fica atrás da renda fixa básica

Quando analisamos séries históricas de COEs oferecidos no varejo, é possível ver um padrão: a maioria apresenta desempenho inferior à taxa básica de juros. Apesar da narrativa de acesso global e engenharia avançada, muitos investidores teriam obtido melhores resultados com um título público simples, de risco baixíssimo.

 

Isso acontece porque o COE, apesar de ter risco relevante, não oferece um retorno proporcional. Uma consequência direta dos custos internos, da probabilidade reduzida de acerto e da limitação estrutural dos gatilhos que levam à uma boa rentabilidade.

 

Na prática, o investidor assume risco, perde liquidez e aceita condições específicas, mas recebe de volta um retorno modesto, muitas vezes inferior ao que obteria em alternativas mais simples.

 

 

A falsa sensação de proteção do capital

Uma das promessas mais repetidas no marketing dos COEs é a proteção do capital no vencimento. Embora muitos produtos realmente devolvam 100% do valor investido, isso não representa necessariamente segurança.

 

Ao longo dos anos, a inflação reduz o poder de compra e o recurso deixa de ser investido em outro ativo. Se o investidor recebe de volta apenas o valor nominal após um prazo longo, ele tem uma perda real significativa.

 

Nesse cenário, o investidor se sente protegido, mas termina com um resultado que, ajustado pela inflação e pelo custo de oportunidade, se traduz em perda significativa. Essa armadilha ocorre porque a “proteção” não leva em conta a preservação do valor real do patrimônio, apenas do valor nominal.

 

É como emprestar o dinheiro para o emissor do COE e receber vários anos depois sem qualquer rendimento.

 

 

A liquidez restrita reduz a flexibilidade da carteira

Outro ponto pouco destacado nas recomendações é que os COEs possuem liquidez limitada. Quem precisa sair antes do vencimento quase sempre enfrenta:

 

  • Deságio expressivo;
  • Spreads elevados no mercado secundário;
  • Ausência de compradores;
  • Impacto direto no retorno final.

 

Isso reduz a flexibilidade da carteira e a perda de agilidade para atender emergências, ajustar recursos em oportunidades melhores ou mudanças de objetivo. 

 

Em outras palavras, ao comprar um COE, o investidor fica preso ao emissor, ao prazo e à estrutura. Quando o cenário muda, se for favorável ao emissor, o contrato continua, se não for, o contrato pode ser alterado. 

 

Esse é um risco relevante, mas que raramente é explicado no momento da recomendação.

 

O conflito de interesse nas recomendações de COEs

Os COEs são extremamente vantajosos para quem vende. A remuneração dos bancos, corretoras, gerentes e assessores acontece antes mesmo do desempenho do produto. Eles ganham na origem, o investidor depende de uma cadeia longa de condições externas.

 

Essa diferença na forma de remuneração cria um conflito de interesse. Muitos COEs são recomendados não porque são boas alternativas de investimento, mas porque geram receita para quem distribui. Esse desalinhamento é uma das razões para os COEs terem se tornado tão populares, mesmo com histórico de performance pouco competitivo.

 

Entender esse mecanismo ajuda a evitar decisões enviesadas. Sempre que a recomendação é guiada pelo incentivo do distribuidor, a alocação tende a ser desajustada em relação ao perfil e ao objetivo do investidor.

 

 

Alternativas mais eficientes e transparentes

Se o objetivo é acessar mercados globais, melhorar a diversificação ou buscar bons retornos na Renda Fixa, não é necessário recorrer a estruturas complexas como os COEs. Hoje, o mercado oferece alternativas mais diretas, previsíveis e alinhadas ao interesse do investidor, como:

 

  • ETFs globais e temáticos, que oferecem exposição internacional real, com composição pública e custos objetivos;
  • Fundos multimercado, que utilizam estratégias diversificadas com regras de gestão claras;
  • Títulos públicos, como Tesouro Selic, com liquidez diária e baixíssimo risco;
  • Renda fixa bancária (CDBs, LCIs/LCAs) em que você sabe exatamente o risco e o retorno contratados, ou corporativa, através de fundos de investimento, que permite grande diversificação de risco;
  • Ações brasileiras e internacionais, que permitem exposição transparente a setores, regiões e empresas específicas;

 

Esses veículos possuem características claras de liquidez, custos explícitos e modelos de risco compreensíveis. Ao contrário dos COEs, não escondem custos nem dependem de combinações restritas de eventos para gerar retorno.

 

Além disso, essas alternativas têm, em geral:

 

  • Relação risco-retorno mais clara, baseada em dados e histórico amplamente divulgados;
  • Liquidez elevada, permitindo ajustes conforme mudanças de cenário ou de objetivos pessoais;
  • Custos mais baixos e transparentes, sem estruturas implícitas ou travas escondidas;
  • Previsibilidade regulatória e operacional, com regras que o investidor consegue acompanhar;
  • Histórico de performance mais consistente, construído ao longo de ciclos econômicos.

 

Diante desse conjunto de fatores, colocar parte relevante do patrimônio em um produto com tantas variáveis ocultas, como o COE, é uma das decisões menos eficientes que um investidor pode tomar.

 

FAQ: Dúvidas frequentes sobre COEs e conflito de interesses

O que são COEs?

Os COEs (Certificados de Operações Estruturadas) são ativos de investimentos que combinam renda fixa com derivativos para criar estratégias específicas de retorno. Na prática, o investidor compra uma estrutura pronta, com regras de ganho e perda que ele nem sempre consegue enxergar com clareza. Por isso, apesar de parecerem simples e acessíveis, são complexos, com detalhes escondidos na forma como o retorno é calculado.

 

COEs são sempre ruins?

Não necessariamente. Eventualmente eles podem não ser péssimos ativos, mas raramente são a melhor opção quando comparados a alternativas mais transparentes e com melhor relação risco-retorno.

 

O que devo analisar antes de investir em COEs?

É preciso entender os gatilhos de retorno, a estrutura de derivativos, os custos embutidos, o prazo, a liquidez e a probabilidade real de ganho. Se isso não estiver claro, é melhor evitar.

 

Por que as corretoras recomendam tantos COEs?

Porque a remuneração é alta e imediata. A instituição ganha na emissão; o investidor só ganha se vários cenários previstos se concretizarem.

 

COE com capital protegido é seguro?

Ele protege o valor nominal, não o valor real. Em prazos longos, isso pode significar perda de poder de compra.

Como a Crescento pode ajudar

Os COEs se tornaram populares porque unem narrativa e boa apresentação comercial. Mas, na prática, o produto entrega pouco retorno, previsibilidade e controle ao investidor.

 

Enquanto isso, quem estrutura e distribui o COE garante a própria remuneração na origem, independentemente do resultado futuro. Esse desalinhamento é o principal motivo pelo qual investidores precisam analisar esse produto com atenção.

 

Na Crescento, a gente valoriza a transparência. Somos uma consultoria independente, sem vínculo com bancos, corretoras ou emissores e, portanto, sem conflito de interesses. Nossa análise é técnica e isenta, sempre considerando os seus objetivos, seu contexto e o que faz sentido para sua vida financeira.

 

Se você quer construir uma estratégia de investimentos com clareza, transparência e decisões a seu favor, podemos ajudar.

 

Fale com nosso time e conte com especialistas que analisam investimentos pensando no que é melhor para você.

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Reserva de emergência: o que é, como calcular e onde investir

Reserva de emergência: o que é, como calcular e onde investir

 

Ter uma reserva de emergência é um dos primeiros passos para uma vida financeira segura.

 

Afinal, imprevistos acontecem: uma despesa médica inesperada, a perda do emprego ou mesmo um reparo urgente em casa.

 

Mas onde investir esse dinheiro para que ele esteja sempre acessível e protegido?

 

Neste artigo, vamos explicar o que é uma reserva de emergência, como calculá-la e, principalmente, quais são os melhores investimentos para garantir segurança e liquidez. Também falaremos sobre os investimentos que devem ser evitados para essa finalidade. Boa leitura!

 

O que é reserva de emergência e por que ela é essencial?

A reserva de emergência é um valor financeiro destinado exclusivamente para imprevistos, como perda de renda, problemas de saúde ou despesas inesperadas. Ter esse recurso disponível garante segurança e tranquilidade para enfrentar períodos de incerteza sem comprometer seu padrão de vida.

 

Diferente de um fundo para lazer, investimentos de longo prazo ou compras planejadas, a reserva de emergência funciona como um colchão financeiro que protege você de situações inesperadas e evita a necessidade de recorrer a empréstimos ou acumular dívidas.

 

As três características fundamentais que um investimento para reserva de emergência deve ter, são:

 

  • Liquidez: o dinheiro precisa estar disponível rapidamente, para resgate no mesmo dia;
  • Segurança: o valor deve estar aplicado em opções com baixo risco, e deve ser o mínimo possível impactado pelos movimentos de mercado;
  • Rentabilidade compatível: não se deve esperar altos rendimentos, mas é importante manter o dinheiro protegido e acessível, tendo um rendimento moderado e que não perca para a taxa de juros básica da economia, a Selic.

 

– Leia também: Segurança financeira pessoal: o que é, importância e como conquistá-la em 4 passos

 

Como calcular a reserva de emergência?

O valor ideal de uma reserva de emergência varia de acordo com o estilo de vida e as necessidades individuais. A recomendação é que a reserva cubra de seis a doze meses das despesas fixas mensais.

 

No geral é necessário levar em consideração:

 

  • Estabilidade da renda: profissionais autônomos ou empreendedores podem precisar de uma reserva maior do que assalariados com estabilidade;
  • Dependentes financeiros: quanto mais pessoas dependem da sua renda, maior deve ser a reserva;
  • Acesso a outras fontes de liquidez: se você já tem ativos de fácil resgate, talvez possa reduzir um pouco o valor da reserva.

 

Para determinar um valor absoluto, é essencial considerar sua realidade financeira e seu estilo de vida. Não existe um número fixo que funcione para todos, pois cada pessoa tem necessidades, desafios e objetivos diferentes.

 

Com o apoio de um consultor financeiro pessoal, você pode analisar seu momento atual, projetar mudanças futuras e entender como seu comportamento financeiro influencia sua necessidade de reserva. Esse olhar personalizado permite que você construa uma estratégia realmente eficaz, garantindo segurança para enfrentar imprevistos sem comprometer seus planos de longo prazo.

 

Preciso de reserva de emergência mesmo com patrimônio elevado?

Sim. O erro de muitas pessoas é acreditar que por ter um alto patrimônio não precisam de uma reserva porque têm investimentos.

 

No entanto, grande parte desse capital pode estar alocado em ativos de baixa liquidez, como imóveis, fundos de investimento ou ações que podem não ser vantajosas para venda em um momento de necessidade.

 

Quem tem um patrimônio elevado pode ajustar a liquidez da reserva de emergência, considerando sua estrutura financeira e diversificação de renda, mas nunca deve abrir mão de ter uma parcela acessível para imprevistos.

 

– Leia também: Wealth Management: o que é, como funciona e vantagens da gestão de fortunas

 

Exemplos práticos do cálculo de reserva de emergência para diferentes perfis

O cálculo básico da reserva de emergência parte do valor que você precisa para manter seu padrão de vida por um período seguro. No entanto, essa conta pode variar dependendo do seu perfil financeiro e da forma como você administra suas despesas.

 

Em geral, o cálculo da reserva de emergência pode ser resumido nesta fórmula:

 

Reserva de emergência = Custo de vida mensal x período de segurança (em meses)

 

Para entender melhor, vamos comparar dois perfis distintos:

 

1. Quem tem renda estável e considera apenas as despesas fixas

Essa pessoa tem um salário previsível e despesas mensais bem definidas, como aluguel, contas básicas, alimentação e transporte.

 

Para calcular a reserva de emergência, basta somar essas despesas essenciais e multiplicar pelo número de meses desejado. Esse modelo funciona bem para quem tem segurança no emprego e consegue manter um controle rígido dos gastos.

 

2. Quem tem renda variável e inclui também as despesas variáveis

Autônomos, empreendedores e profissionais liberais enfrentam meses de alta e baixa na renda.

 

Para esses casos, considerar apenas as despesas fixas pode ser arriscado. Além dos custos básicos, é importante incluir gastos variáveis, como lazer, educação, manutenção da casa ou do carro e até oscilações no faturamento. Assim, a reserva se torna um colchão financeiro mais realista para períodos de incerteza.

 

Por que muitas pessoas negligenciam essa reserva?

Quanto mais controle achamos que temos sobre nosso dinheiro, maior a chance de subestimarmos a importância da reserva de emergência. Muitos acreditam que sempre conseguirão ajustar o orçamento pessoal quando necessário, mas imprevistos não avisam.

 

Por isso, ter um consultor financeiro pode te ajudar a entender qual modelo de cálculo faz mais sentido para você, considerando sua realidade atual e seus planos futuros.

 

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Onde investir a reserva de emergência?

Os melhores investimentos são aqueles que garantem segurança e acesso imediato ao dinheiro. Confira abaixo algumas opções.

 

1. Tesouro Selic

É um dos investimentos mais recomendados para a reserva de emergência, pois une segurança, liquidez e rentabilidade. Funciona como um empréstimo ao governo, que em troca paga juros ao investidor.

 

Suas principais vantagens são:

 

  • Baixo risco: por ser um título público, ele tem a garantia do próprio governo, que o diferencia de outros investimentos de renda fixa que podem ter risco de crédito (como CDBs de bancos menores);
  • Liquidez diária: pode ser resgatado a qualquer momento e o dinheiro cai na conta no dia útil seguinte (D+1). Isso significa que, em caso de emergência, você não precisa esperar muito tempo para ter acesso à sua reserva, diferente de alguns investimentos que só permitem resgates em datas específicas ou têm prazos longos de liquidação;
  • Rentabilidade acima da poupança: o Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros da economia, sendo maior do que o rendimento da poupança. Além disso, diferente da poupança, que só rende a cada 30 dias, o Tesouro Selic tem rendimento diário. Ou seja, mesmo que o dinheiro fique investido por poucos dias, ele já começa a gerar retorno, enquanto na poupança um resgate antes do “aniversário” do depósito resulta em zero rendimento.

 

A única desvantagem é que, se o resgate for feito antes de 30 dias, há cobrança de IOF, além do imposto de renda regressivo sobre os rendimentos. No entanto, ainda assim continua sendo mais vantajoso que a poupança, por exemplo.

 

2. CDBs com liquidez diária

Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com liquidez diária são outra boa opção para a reserva de emergência.

 

Os bancos de médio porte costumam oferecer taxas melhores, mas podem ter um risco ligeiramente maior. O investimento é garantido pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250 mil por CPF e instituição.

 

Fique atento à segurança do banco emissor e à cobertura do FGC antes de investir. É preciso estar atento, pois em bancos menores os resultados podem ser mais instáveis, visto que, em caso de falência, o FGC demora alguns dias para pagar o seu dinheiro de volta, deixando você descoberto de liquidez. Por isso, bancos de médio porte não são recomendados para abrangerem a totalidade da sua reserva.

 

  • Liquidez diária: resgate disponível em D+0 ou D+1, dependendo da instituição. No entanto, é necessário conferir se o título oferecido é, de fato, de liquidez diária, visto que a maioria dos CDBs apresentam liquidez na data de vencimento;
  • Rentabilidade: pode variar de 95% a 110% do CDI, sendo nesses casos mais vantajoso que a poupança.

 

3. Fundos DI de baixa taxa

Eles investem majoritariamente em títulos públicos e oferecem uma alternativa prática para reserva de emergência.

 

Uma das grandes vantagens é a facilidade de aplicar e resgatar os valores, com rentabilidade geralmente próxima ao CDI. A liquidez, no entanto, pode depender do horário do resgate, já que alguns fundos processam o saque apenas em D+1 ou D+2. Por isso, estes fundos podem compor sua reserva, mas não é recomendado utilizar apenas eles para compor a totalidade da reserva.

 

4. Conta remunerada de bancos digitais

Muitos bancos digitais oferecem contas remuneradas, que rendem automaticamente um percentual do CDI.

 

Pode ser interessante se a rentabilidade for acima de 100% do CDI e houver liquidez imediata. Mas atenção: algumas contas remuneradas limitam saques ou têm variações na rentabilidade ao longo do tempo.

 

Também é necessário saber se a sua conta rentabiliza diariamente o saldo. Alguns bancos passam a remunerar a conta corrente após 30 dias de dinheiro investido. Por isso, é importante checar se seguem a tríade da remuneração de reserva: liquidez, segurança e rentabilidade compatível.

 

A poupança vale a pena?

A poupança é considerada uma opção segura para uma reserva de emergência, mas ela não atende plenamente a todos os requisitos ideais. Embora seja uma alternativa de baixo risco e tenha a vantagem de fácil acesso ao dinheiro, o ponto mais crítico é sua rentabilidade.

 

Atualmente, a rentabilidade da poupança corresponde a 70% da Selic, mas essa regra pode variar dependendo da taxa básica de juros. Quando a Selic está abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança fica em 70% da Selic. Quando a Selic está acima de 8,5%, a rentabilidade sobe para 0,5% ao mês mais a variação da TR (Taxa Referencial), o que ainda é uma rentabilidade muito inferior a outras opções de investimento.

 

Por isso, apesar de ser uma alternativa, a poupança falha no quesito rentabilidade compatível, que é essencial para a construção de uma reserva de emergência eficiente.

 

Custos e impostos

É essencial considerar custos e impostos antes de escolher onde deixar sua reserva de emergência. Como recomendamos que o valor esteja aplicado em um investimento de renda fixa, ele irá seguir a tabela regressiva de IR e IOF, se houver resgate em menos de 30 dias, em caso de produtos não isentos:

 

  • IOF: cobrado nos primeiros 30 dias sobre os rendimentos;
  • IR: regressivo, variando de 22,5% (até 6 meses) a 15% (acima de 2 anos).

 

Comparação dos melhores investimentos para reserva de emergência

 

Investimento Liquidez Segurança Rentabilidade
Tesouro Selic Alta (D+0 ou D+1) Muito alta Levemente superior ao CDI
CDB com liquidez diária Alta (D+0 ou D+1) Alta Variável, depende do banco
Fundos DI Média (D+0 a D+2) Média Variável, próxima ao CDI
Contas Remuneradas Imediata Média Variável, depende do banco
Poupança Imediata Alta Baixa (70% da Selic atualmente)

 

– Leia também: A importância de uma carteira de investimentos diversificada para proteger seu patrimônio

 

Por que alguns investimentos NÃO devem ser usados para reserva de emergência?

Nem todo investimento é adequado para formar reserva de emergência. O objetivo é ter dinheiro sempre acessível, com baixo risco e sem prejuízos em resgates inesperados.

 

1. Ações e fundos de ações

São ativos de renda variável, seus preços oscilam constantemente de acordo com economia, política e desempenho das empresas. Dessa forma, além da alta volatilidade, a liquidez de dois dias úteis também as tornam inadequadas para uma reserva de emergência.

 

2. Fundos imobiliários (FIIs)

São populares por gerarem renda passiva por meio da distribuição de aluguéis, mas não são apropriados para reserva de emergência pela liquidez limitada e oscilação de preços.

 

3. LCI, LCA e CDBs sem Liquidez Diária

LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) e CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com carência ou vencimento fixo não são recomendados para a reserva de emergência pela falta de liquidez. Os prazos para resgate são longos e há riscos de perdas em caso de saques antecipados.

 

4. Previdência privada

Seus planos são estruturados para o longo prazo e os resgates podem demorar. Além disso, em algumas modalidades, ainda há a incidência de taxas de carregamento e administração e impostos elevados em resgates antecipados. Isso torna a previdência uma opção menos vantajosa quando se precisa de liquidez imediata.

 

No entanto, a previdência privada pode ser uma excelente opção para planejamento sucessório, proporcionando uma forma eficiente de transferência de bens para herdeiros com vantagens fiscais.

 

Como manter uma reserva de emergência eficiente?

  • Revisar periodicamente: ajuste o valor da reserva conforme mudanças no seu custo de vida, para isso é necessário rever e acompanhar o seu orçamento mensal;
  • Manter disciplina: use a reserva apenas para emergências reais;
  • Diversificar: distribua o dinheiro entre diferentes opções seguras para reduzir riscos e otimizar a rentabilidade.

 

– Leia também: Educação financeira: o que é, importância, como desenvolver e boas práticas

 

FAQ: dúvidas frequentes sobre a reserva de emergência

A seguir, reunimos as dúvidas mais frequentes sobre a reserva. Algumas já foram abordadas ao longo do texto, mas destacamos aqui de forma resumida para facilitar a compreensão. Confira!

 

O que é reserva de emergência?

A reserva de emergência é um valor financeiro separado exclusivamente para cobrir imprevistos, garantindo segurança e estabilidade sem comprometer o padrão de vida nem recorrer a dívidas.

 

Como montar uma reserva de emergência?
Para montar sua reserva de emergência, é necessário organizar o orçamento pessoal, definir uma meta com base nas despesas fixas mensais, separar um valor recorrente para investir mensalmente e escolher aplicações que garantam segurança, liquidez e rentabilidade compatível.

 

Como calcular a reserva de emergência?
O valor ideal da reserva de emergência é obtido multiplicando as despesas mensais essenciais por um período de segurança, geralmente de seis a doze meses, considerando fatores como estabilidade da renda, existência de dependentes e outras fontes de liquidez.

 

Quanto guardar por mês para reserva de emergência?
O valor mensal a ser guardado depende da sua meta final e do prazo para alcançá-la, sendo recomendável incluir esse objetivo no planejamento financeiro e manter a regularidade dos aportes até atingir o montante desejado.

 

Onde deixar a reserva de emergência?
A reserva de emergência deve ser mantida em um local seguro e de fácil acesso, onde o valor possa ser resgatado rapidamente sempre que necessário, sem burocracias ou riscos de perda do capital, garantindo tranquilidade nos momentos de imprevisto.

 

Onde investir a reserva de emergência?
As melhores opções para investir a reserva de emergência são aquelas que combinam alta liquidez e baixo risco, como Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária, fundos DI de baixa taxa ou contas remuneradas de bancos digitais.

 

Qual o melhor investimento para reserva de emergência?
Os investimentos mais recomendados para a reserva de emergência são o Tesouro Selic ou CDBs de liquidez diária, por unirem alta liquidez, segurança extrema e rendimento diário atrelado à taxa básica de juros, além de serem mais vantajosos que a poupança e outros produtos com liquidez limitada.

 

Quando usar a reserva de emergência?
A reserva de emergência deve ser utilizada apenas em situações realmente inesperadas e urgentes, como perda de renda, problemas de saúde, consertos essenciais ou emergências familiares, evitando ao máximo seu uso para gastos supérfluos ou planejados.

 

Como a Crescento pode ajudar?

Definir a melhor estratégia para construir sua reserva de emergência exige conhecimento e um bom planejamento financeiro pessoal.

 

Um consultoria financeira pessoal especializada pode ajudar a avaliar sua situação financeira, riscos e objetivos, personalizando uma estratégia para garantir que você tenha segurança e tranquilidade. Essa consultoria te dá suporte na organização financeira, com a construção de um orçamento doméstico para calcular e chegar ao valor ideal para sua reserva.

 

Quer saber mais sobre como estruturar sua reserva de emergência de forma eficiente? Entre em contato com a empresa de consultoria financeira Crescento e conheça a melhor solução para você!