Reforma tributária: o que muda no jogo fiscal para as empresas?

A reforma tributária, aprovada em 2023, marca uma das maiores transformações fiscais no Brasil. Visando simplificar tributos e criar um ambiente de negócios mais previsível, ela gerou atenção e preocupação em empresas de médio e grande porte. 

 

Os impactos vão da gestão de capital de giro à precificação de contratos e estratégias de investimento. Nosso objetivo com este artigo é detalhar os pontos-chave da nova legislação e seus efeitos para empresas com grandes projetos e contratos de longo prazo. Boa leitura!

 

Neste artigo, você vai entender:

 

 

O que é a reforma tributária e porque ela foi aprovada?

A reforma tributária busca reestruturar o modelo de cobrança de impostos sobre o consumo no Brasil. Por décadas, o país conviveu com um modelo fragmentado, considerado um dos sistemas mais complexos do mundo, marcado por:

 

  • Sobreposição de tributos em diferentes esferas de governo (federal, estadual e municipal);
  • Dificuldade de apuração de créditos tributários;
  • Alta litigiosidade entre contribuintes e o Fisco;
  • Incentivos que geraram distorções econômicas e guerra fiscal entre estados.

 

A aprovação da reforma tributária veio como resposta a uma demanda antiga do mercado por um sistema mais eficiente e transparente. 

 

Os objetivos são a simplificação da tributação sobre o consumo, a redução do custo de conformidade tributária para as empresas, o estímulo à competitividade do ambiente de negócios e a busca por maior neutralidade na arrecadação, evitando que o sistema fiscal distorça decisões econômicas ou interfira na dinâmica natural das cadeias produtivas.

 

Com a reforma, o Brasil dá um passo em direção a um sistema mais alinhado com as melhores práticas internacionais, adotando o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) como base.

 

A reforma tributária foi aprovada: o que muda na prática?

A mudança mais significativa é a substituição de cinco tributos atuais por dois novos impostos sobre o consumo, inspirados no modelo do IVA, já utilizado em diversos países.

 

Os tributos que serão extintos incluem:

 

  • ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – estadual);
  • ISS (Imposto sobre Serviços – municipal);
  • PIS (Programa de Integração Social – federal);
  • COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – federal);
  • IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados – federal, que será parcialmente incorporado).

 

Eles serão substituídos por dois novos impostos:

 

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): de competência federal, irá substituir PIS e COFINS;
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): com gestão compartilhada entre estados e municípios, irá substituir ICMS e ISS.

 

Como funciona a lógica do IVA?

Tanto o CBS quanto o IBS incidem sobre o valor adicionado em cada etapa da cadeia de produção e comercialização. Isso significa que cada empresa recolhe o imposto sobre a diferença entre o valor de suas vendas e o valor das suas compras.

 

Um dos principais benefícios é o direito ao crédito tributário amplo, o que tende a reduzir os efeitos cumulativos típicos do sistema atual. Na prática, isso permite que as empresas abatam os impostos pagos nas etapas anteriores da cadeia produtiva, melhorando a transparência e a previsibilidade tributária.

 

Cronograma de implementação

A transição para o novo sistema será de forma gradual. O objetivo é permitir que todos tenham tempo para se adequar. O cronograma básico é o seguinte:

 

  • 2026: Ano teste da CBS e IBS, com alíquotas reduzidas que serão compensadas no PIS/COFINS;
  • 2027: Cobrança do CBS e extinção do PIS/COFINS. Redução a zero das alíquotas do IPI com exceção da ZFM e instituição do Imposto Seletivo;
  • 2029 a 2032: Transição do ICMS e ISS para o IBS via aumento gradual do IBS contra uma redução gradual dos tributos antigos;
  • 2033: Extinção do ICMS e ISS e plena implementação do novo modelo tributário.

 

Split payment: a mudança que mais impacta o caixa das empresas

O split payment talvez seja a mudança mais significativa do ponto de vista operacional e financeiro. 

 

Diferentemente do modelo atual, em que a empresa recebe o valor bruto da venda e recolhe os tributos posteriormente (geralmente em até 30 dias), com o split payment, o valor referente à CBS e ao IBS será automaticamente retido no momento do pagamento e transferido diretamente ao Fisco pelo intermediário financeiro (como bancos ou adquirentes de cartão). 

 

Essa antecipação do recolhimento afeta diretamente o capital de giro, reduz a liquidez imediata das empresas e pode gerar descompassos relevantes entre receita bruta faturada e receita disponível em caixa. O impacto será ainda mais intenso em operações de recebíveis e vendas a prazo.

 

Para empresas que dependem de fluxo de caixa prolongado ou operam com margens reduzidas, a adaptação exigirá revisão dos modelos de precificação, negociações com fornecedores, ajustes nos prazos de recebimento e maior integração entre as áreas fiscal, financeira e comercial. 

 

Por outro lado, o split payment também traz uma consequência indireta que impacta a cultura fiscal das empresas: ao eliminar a autonomia sobre o recolhimento dos tributos, ele reduz a possibilidade de postergação intencional dos pagamentos, como o não recolhimento corrente seguido de parcelamentos junto ao Fisco. 

 

Na prática, empresas que utilizam esse prazo como uma ferramenta adicional de gestão de caixa precisarão se adaptar a um cenário em que o recolhimento é automático e imediato. 

 

Isso exigirá maior rigor no planejamento tributário, maior previsibilidade no fluxo de caixa e ainda mais disciplina na gestão financeira da empresa. O ambiente tende a se tornar mais transparente e controlado, mas também impõe novos desafios operacionais.

 

Impactos práticos para as empresas durante a transição

A transição exige grande esforço das empresas para atualizar sistemas (ERP, contabilidade, compliance) e lidar com o cálculo de impostos em duas bases, aumentando o risco de erros fiscais.

 

Além disso, será necessário redobrar a atenção na gestão de fluxo de caixa e no planejamento tributário, já  que o modelo de split payment também começará a ser implementado.

 

Outro ponto é que a transição será acompanhada por uma fase de ajustes de alíquotas, ainda não totalmente definidas, o que pode dificultar o planejamento financeiro de médio e longo prazo e trazer insegurança jurídica.

 

Por isso, as empresas precisam começar, o quanto antes, a modelar os impactos da reforma e sensibilizar diferentes cenários, considerando as particularidades de sua cadeia produtiva, estrutura societária e regime de tributação. 

 

Mais do que apenas revisar processos, contratos e sistemas internos, é essencial construir uma visão clara e estratégica das potenciais mudanças, com o apoio de uma consultoria especializada, para minimizar riscos e identificar oportunidades dentro do novo cenário tributário.

 

O que muda para as empresas do Simples Nacional?

Para essas empresas, o sistema atual de tributação por faixas de faturamento será mantido. Elas continuarão apurando seus tributos com base em uma alíquota efetiva variável, conforme o volume de receita bruta anual.

 

No entanto, um ajuste importante será feito nas alíquotas de referência utilizadas no Simples Nacional, de modo a refletir a nova estrutura tributária e manter o princípio de neutralidade arrecadatória. 

 

Vale lembrar que a neutralidade é uma diretriz que norteia toda a reforma, buscando evitar distorções econômicas também para empresas no Lucro Real e Presumido. A ideia central é que as mudanças de alíquota não resultem, em teoria, em aumento generalizado de carga tributária, mas a efetividade desse objetivo dependerá muito da realidade de cada setor e da forma como os créditos serão aproveitados.

 

Além disso, as empresas do Simples Nacional terão a possibilidade de optar por um regime alternativo: o recolhimento separado da CBS e do IBS, com a possibilidade de apuração e aproveitamento de créditos tributários. Essa escolha pode ser vantajosa para empresas que atuam como fornecedoras em cadeias produtivas mais longas, onde o aproveitamento de créditos pelos clientes pode gerar um diferencial competitivo.

 

A escolha entre permanecer no regime tradicional do Simples ou migrar para o recolhimento separado deverá ser feita com base em uma análise detalhada do perfil de receitas, estrutura de custos e posição na cadeia de valor da empresa. Cada caso exigirá uma simulação personalizada, considerando os impactos sobre a margem de lucro, o fluxo de caixa e a competitividade no mercado.

 

Já para os Microempreendedores Individuais (MEIs), a reforma não trará impactos diretos. Os MEIs continuarão seguindo as regras atuais, sem alteração nas alíquotas ou nas obrigações acessórias.

 

 

Impactos para empresas: simplificação ou novos desafios?

Embora o discurso sobre a reforma tributária enfatize a simplificação do sistema, as empresas podem ter desafios para se adequarem ao novo sistema:

Aumento da alíquota nominal e o desafio de entender a alíquota efetiva

Um dos temas que mais têm gerado preocupação é a definição da alíquota efetiva de impostos. As primeiras projeções indicam que a alíquota nominal (somando CBS e IBS) pode chegar a 28%, o que, à primeira vista, parece um aumento expressivo da carga tributária.

 

No entanto, a alíquota efetiva, ou seja, o percentual que cada empresa realmente pagará, considerando os créditos a que terá direito, será bastante variável. Os principais fatores que vão influenciar esse número incluem:

 

  • A capacidade da empresa de acumular créditos tributários com seus fornecedores;
  • O perfil da sua cadeia produtiva (mais ou menos sujeita à geração de créditos);
  • O tipo de produto ou serviço oferecido (com ou sem direito a crédito);
  • A estrutura societária e o regime tributário vigente;
  • A exposição ao consumidor final, onde normalmente há menos créditos a serem aproveitados.

 

Empresas com cadeias longas e grande capacidade de geração de créditos, como indústrias e empresas de infraestrutura com alto volume de investimentos, poderão experimentar uma alíquota efetiva mais baixa. 

 

Por outro lado, empresas com foco no consumidor final, como as de varejo ou prestação de serviços B2C, onde há menor acúmulo de créditos, podem ver um aumento significativo da carga tributária.

 

Além da geração de créditos, alguns setores da economia serão contemplados com regimes específicos, que preveem descontos sobre a alíquota nominal de 28%. Esses regimes favorecidos têm como objetivo atenuar os impactos da reforma sobre segmentos atualmente beneficiados por incentivos fiscais. 

 

As regras detalhadas ainda estão em discussão e devem ser definidas por meio de lei complementar. Entre os setores que devem ser beneficiados estão: saúde, agropecuária, transporte público, combustíveis, lubrificantes e operações com bens imóveis.

 

Repercussão nos contratos: necessidade de reequilíbrio

Diante dessas mudanças estruturais, uma consequência inevitável é a revisão dos contratos comerciais. 

 

Empresas que operam sob contratos de longo prazo (como concessões públicas e PPPs) já costumam contar com cláusulas que permitem pleitos de reequilíbrio econômico-financeiro, como forma de compensar impactos regulatórios e fiscais. Nesses casos, a reforma tributária pode ser um gatilho legítimo para solicitar ajustes nos contratos vigentes.

 

Por outro lado, empresas que atuam no mercado privado (especialmente aquelas com grande volume de contratos com clientes B2B ou B2C) terão um trabalho extenso pela frente para mapear todos os contratos vigentes e renegociar condições, de forma a incorporar os novos custos tributários e proteger a rentabilidade.

 

– Leia também: Reequilíbrio econômico-financeiro do contrato: o que é, quando aplicar e como garantir contratos sustentáveis

 

 

Como se preparar: planejamento fiscal em tempos de mudança

As mudanças já foram aprovadas e o cronograma de implementação está em curso. Por isso, empresas precisam começar, desde já, a se antecipar aos impactos e planejar estrategicamente sua adaptação ao novo sistema. Quem deixar para reagir apenas quando as novas regras entrarem plenamente em vigor corre o risco de enfrentar:

 

  • Perda de margem operacional, por não ter reavaliado a precificação de seus produtos e serviços a tempo;
  • Descompasso no fluxo de caixa, agravado pela implementação do split payment, que vai exigir mais capital de giro para sustentar a operação;
  • Insegurança contratual, caso a empresa não faça uma revisão prévia de seus contratos com clientes e fornecedores, considerando os novos impactos tributários;
  • Aumento de custo operacional, com custos emergenciais de adequação sistêmica.

 

Avaliação de riscos e oportunidades: curto, médio e longo prazo

O primeiro passo é uma análise detalhada da cadeia produtiva, mapeando como cada elo será afetado pela nova tributação. Isso inclui:

 

  • Simulações de alíquota efetiva, considerando o perfil de crédito tributário de cada etapa da cadeia;
  • Estudos de impacto no capital de giro, especialmente para empresas com grande volume de transações ou com forte atuação no B2B;
  • Revisão de políticas comerciais, reavaliando margens, prazos de pagamento e condições de negociação;
  • Adequação dos sistemas de gestão (ERP e contabilidade), garantindo que estejam preparados para as novas exigências de apuração e recolhimento dos tributos.

 

No médio e longo prazo, será fundamental também revisitar o planejamento estratégico, recalculando projeções financeiras, estratégias de expansão e investimentos.

 

A importância da assessoria especializada

Diante desse cenário, contar com uma assessoria especializada em planejamento fiscal e financeiro deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade. Cada empresa terá um conjunto único de desafios e oportunidades, e as decisões tomadas agora vão impactar a competitividade e a saúde financeira nos próximos anos.

 

 

Como a Crescento pode ajudar

Na Crescento, entendemos que a reforma tributária representa muito mais do que uma mudança nas regras fiscais. Ela é uma oportunidade para as empresas que souberem agir de forma estratégica.

 

Nossa equipe atua ao lado dos clientes em diferentes frentes:

 

  • Simulação de cenários de alíquota efetiva, com foco em preservar margem e rentabilidade;
  • Análise de impacto no fluxo de caixa, considerando o split payment e outras mudanças relevantes;
  • Apoio na revisão e renegociação de contratos, ajudando a proteger os interesses da empresa diante das novas regras;
  • Ajustes na estrutura societária e no planejamento tributário, buscando a melhor eficiência fiscal;
  • Consultoria especializada para concessões e PPPs, incluindo suporte em pleitos de reequilíbrio contratual.

 

Além disso, oferecemos ferramentas e checklists personalizados para que cada cliente possa revisar sua estrutura tributária de ponta a ponta, com clareza e segurança.

 

Quanto mais cedo sua empresa começar esse movimento, maiores as chances de transformar os desafios em vantagens competitivas no novo cenário fiscal brasileiro.

 

Fale com um de nossos consultores e veja como podemos apoiar a saúde financeira do seu negócio.

 

 

Fluxo de caixa direto e indireto: comparando os métodos na análise financeira

O controle financeiro de uma empresa de qualquer setor é mais do que uma necessidade: é uma condição estratégica para a continuidade e o crescimento sustentável do negócio. E nesse cenário, entender a diferença entre fluxo de caixa direto e indireto é essencial para estruturar uma gestão financeira empresarial eficaz e alinhada às exigências do setor.

 

Um dos principais instrumentos para manter esse controle é o fluxo de caixa. Com ele, é possível acompanhar a liquidez da operação, planejar investimentos, avaliar a viabilidade de projetos e se antecipar a desequilíbrios financeiros.

 

No entanto, ao estruturar esse demonstrativo, surge uma dúvida comum: qual método utilizar? O fluxo de caixa direto e indireto são as duas abordagens que apresentam diferenças relevantes em sua construção e utilidade prática.

 

Neste artigo, vamos detalhar cada método, comparar suas aplicações e ajudar sua empresa a escolher a abordagem mais estratégica, considerando a complexidade operacional, exigências regulatórias e a necessidade de transparência frente a financiadores e stakeholders públicos. Boa leitura!

 

O que é fluxo de caixa?

O fluxo de caixa é um relatório que apresenta todas as entradas e saídas de recursos financeiros de uma empresa durante um período determinado. Ele oferece uma visão clara sobre como o dinheiro é movimentado na operação, seja pelas atividades operacionais, de investimento ou de financiamento.

 

Mais do que um retrato da liquidez, o fluxo de caixa ajuda a responder perguntas estratégicas:

 

  • A empresa tem caixa suficiente para cumprir obrigações contratuais?
  • É possível financiar um novo projeto sem comprometer a operação atual?
  • Quais atividades estão consumindo ou gerando caixa?
  • Como o cenário macroeconômico pode afetar o capital de giro?

 

A depender da complexidade da empresa, esse relatório se torna ainda mais importante para justificar decisões em auditorias, renegociações contratuais e pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro em contratos públicos.

 

Existem dois métodos principais para estruturar esse demonstrativo:

 

  • Método direto: registra as transações de caixa conforme ocorrem, apresentando o valor real das entradas e saídas;
  • Método indireto: parte do lucro líquido e ajusta os valores com base em itens não monetários e variações de capital de giro.

 

A seguir, vamos explorar cada um desses métodos com profundidade.

 

Método direto de fluxo de caixa

O método direto lista as entradas e saídas de caixa reais da empresa, como pagamentos a fornecedores, recebimentos de clientes, salários, encargos, tributos, etc. Ele apresenta de forma clara e cronológica o que entrou e saiu do caixa no período.

 

O fluxo de caixa direto é segmentado em três categorias principais:

 

  • Fluxo de Caixa Operacional (FCO): envolve todas as movimentações ligadas à operação do negócio, como receitas de vendas, pagamento de fornecedores, salários, tributos e despesas gerais;
  • Fluxo de Caixa de Investimentos (FCI): engloba aquisições ou vendas de ativos de longo prazo, como compra de máquinas, equipamentos ou participações societárias;
  • Fluxo de Caixa de Financiamentos (FCF): inclui operações de captação ou devolução de recursos com terceiros, como empréstimos, financiamentos ou pagamento de dividendos.

 

O total do fluxo de caixa do período será a soma líquida desses três blocos.

 

Exemplo prático

Imagine uma construtora que, em determinado mês, teve os seguintes movimentos:

Tipo de operação Valor (R$)
Recebimento de cliente (obra) + 800.000
Pagamento de fornecedores – 400.000
Pagamento de salários – 250.000
Tributos e encargos – 90.000

Subtotal – Fluxo de Caixa Operacional (FCO): +60.000

 

Compra de equipamentos – 100.000

Subtotal – Fluxo de Caixa de Investimentos (FCI): -100.000

 

Recebimento de financiamento + 200.000

Subtotal – Fluxo de Caixa de Financiamentos (FCF): +200.000

 

Saldo final do caixa no mês +160.000

 

Neste exemplo, ao estruturar o fluxo por categoria, o gestor consegue analisar com mais precisão de onde vieram os recursos e como foram utilizados, o que é essencial para tomar decisões de curto, médio e longo prazo.

 

Esse tipo de separação também é útil para identificar gargalos operacionais, avaliar a necessidade de captação de recursos ou ainda justificar pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro em contratos públicos, especialmente em setores como infraestrutura, onde o CAPEX e o financiamento são elementos críticos da operação.

 

Vantagens

  • Mais indicado para entender a saúde financeira da empresa;
  • Transparência total das movimentações;
  • Facilita o entendimento por não-contadores (ideal para reuniões com sócios, investidores e bancos);
  • Permite o monitoramento diário ou semanal do caixa.

 

Desvantagens

  • Requer um sistema contábil ou ERP robusto para registrar corretamente todas as movimentações financeiras;
  • Em empresas com múltiplas obras, contratos ou filiais, pode se tornar operacionalmente mais complexo de consolidar.

 

Método indireto de fluxo de caixa

O método indireto parte do lucro líquido contábil e faz ajustes para chegar ao fluxo de caixa das atividades operacionais.

 

Esses ajustes consideram:

 

  • Itens que afetaram o lucro, mas não afetam o caixa, como depreciação, amortização, provisões e reavaliações de ativos;
  • Variações no capital de giro (aumento ou redução de estoques, contas a receber e a pagar).

 

É como “traduzir” a DRE (Demonstrativo de Resultados do Exercício) para a linguagem do caixa.

 

Exemplo prático

Suponha que a mesma construtora teve um lucro líquido de R$ 300.000 no mês. Os ajustes seriam:

 

  • Depreciação: + 50.000
  • Aumento de contas a receber: – 100.000
  • Redução de contas a pagar: – 70.000

 

Fluxo de caixa das atividades operacionais =

300.000 + 50.000 – 100.000 – 70.000 = 180.000

 

Esse valor não mostra diretamente os pagamentos e recebimentos, mas sim uma estimativa de quanto caixa foi gerado a partir do lucro, ajustando distorções contábeis.

 

Vantagens

  • Mais fácil de implementar em empresas que já possuem contabilidade estruturada;
  • Facilita a comparação entre empresas e a análise por parte de investidores ou controladores;
  • Útil para empresas com múltiplas unidades de negócio que já consolidam resultados por competência.

 

Desvantagens

  • Menor transparência das movimentações;
  • Pode mascarar problemas de liquidez se os ajustes forem interpretados incorretamente;
  • Mais difícil de explicar para equipes operacionais ou stakeholders sem conhecimento contábil.

 

 

Fluxo de caixa direto ou indireto: qual escolher?

Critério Método direto Método indireto
Base de cálculo Entradas e saídas reais de caixa Lucro líquido + ajustes
Facilidade de compreensão Alta (mais visual) Média a baixa (requer conhecimento)
Esforço de implementação Alto (mais registros operacionais) Médio (depende da contabilidade)
Nível de transparência Alto Médio
Adequado para licitações Sim (mais rastreável e auditável) Sim (mas exige explicações adicionais)
Adequado para financiadores Sim Sim
Ideal para empresas Menores ou com alta necessidade de controle de caixa Maiores ou com estrutura contábil robusta

 

Quando usar cada um?

  • Empresas com fluxo de caixa apertado, que gerenciam vários contratos simultaneamente e que participam de licitações públicas, podem se beneficiar mais do método direto, pois ele permite um controle mais granular das saídas e entradas. É também o mais utilizado quando se trata de justificativas para reequilíbrio econômico-financeiro de contratos;
  • Já o método indireto é recomendado para empresas com estrutura contábil consolidada, que já utilizam a DRE como referência e precisam de relatórios sintéticos para reportes internos e externos.

 

Importante lembrar: as normas contábeis (como o CPC 03) permitem o uso dos dois métodos, mas recomendam apresentar o fluxo operacional pelo método direto sempre que possível, pois fornece mais transparência.

 

 

Casos práticos no setor de infraestrutura

Vamos supor uma empresa que atua na manutenção de rodovias sob um contrato de concessão. Durante o ano, a empresa precisa justificar junto ao poder concedente a necessidade de reequilíbrio do contrato, com base na defasagem entre receitas projetadas e custos realizados.

 

Nesse cenário:

  • O método direto permite mostrar exatamente quanto foi pago em insumos, mão de obra e equipamentos, sendo mais defensável tecnicamente;
  • O método indireto pode ser útil para construir cenários mais estratégicos de médio prazo, considerando a projeção do lucro operacional e seu impacto sobre o caixa.

 

Empresas que atuam em consórcios ou SPEs (Sociedades de Propósito Específico) também se beneficiam de demonstrativos claros e auditáveis, principalmente quando há múltiplos stakeholders ou financiadores (como bancos públicos e privados).

 

– Leia também: Gestão de fluxo de caixa: o que é, desafios, como organizar e boas práticas para médias empresas

 

Como a Crescento pode ajudar

Empresas com estruturas complexas precisam ir além dos números. Na Crescento, ajudamos nossos clientes a traduzir relatórios financeiros em informações estratégicas para tomada de decisão e para entender a saúde financeira do seu negócio.  Conheça nossas soluções para sua empresa:

 

  • Consultoria Financeira: Transformamos dados financeiros em inteligência para tomada de decisão. Elaboramos projeções, análises de viabilidade, estudos de reequilíbrio e planos de ação sob medida para o seu negócio.
  • BPO Financeiro: Terceirização inteligente da gestão financeira, com controle de fluxo de caixa, conciliação, relatórios gerenciais e muito mais, com integração aos seus sistemas atuais.

 

Fale com um de nossos consultores e veja como podemos apoiar a saúde financeira do seu negócio.

 

 

Evolução do mercado de concessões públicas e PPPs no Brasil

Nos últimos anos, as concessões públicas e parcerias público-privadas (PPPs) no Brasil têm se consolidado como ferramentas essenciais para impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura. 

 

Setores estratégicos como transporte, energia, saneamento e telecomunicações têm se beneficiado dessas iniciativas, permitindo maior investimento, modernização e eficiência na prestação de serviços públicos.

 

Neste artigo, vamos te mostrar a evolução das concessões no Brasil, os principais benefícios para os stakeholders e os critérios de escolha nos processos licitatórios, além de abordar os desafios e riscos envolvidos nesses modelos. Boa leitura!

 

Aqui você vai encontrar:

 

Concessões públicas no Brasil: impacto no desenvolvimento de infraestrutura

As concessões públicas e parcerias público-privadas (PPPs) no Brasil assumiram um papel de destaque como instrumento fundamental para o desenvolvimento de infraestrutura e a melhoria na prestação de serviços públicos. Impulsionadas por programas e políticas governamentais, essas concessões ganharam espaço em setores estratégicos da economia, como transporte, energia, saneamento e telecomunicações.

 

O país experimentou, nas últimas décadas, um crescimento significativo no número e na magnitude dos projetos de concessão. As rodovias Presidente Dutra e BR-116, os aeroportos Guarulhos (SP) e Galeão (RJ), além das concessões de saneamento em Alagoas e Rio de Janeiro, são exemplos de grandes ativos de infraestrutura concedidos à iniciativa privada. Esses projetos trouxeram investimentos vultosos, contribuindo para a modernização e expansão da infraestrutura brasileira.

 

Em 2023, o número de editais e parcerias público-privadas (PPP) atingiu o maior patamar da história, com 440 editais publicados. Isso representa um crescimento de 52% em relação a 2022 e um aumento impressionante de 1.090% em comparação com o número de editais de 10 anos atrás.

Concessões públicas e parcerias público-privadas (PPPs) no Brasil | Crescento
Concessões públicas e parcerias público-privadas (PPPs) no Brasil | Crescento

As primeiras concessões no Brasil estavam concentradas em ativos dos governos federal e estadual. No entanto, com avanços na capacidade técnica para a modelagem de contratos, alinhamento dos objetivos municipais com os modelos de PPPs e ações legislativas que oferecem maior segurança jurídica, essas iniciativas também estão crescendo no âmbito municipal. Setores como iluminação pública, resíduos sólidos e água/esgoto têm se destacado. Segundo o Radar PPP, o triênio de 2021-2023, mesmo faltando um ano para o fim dos mandatos atuais, já conta com 730 editais publicados, frente aos 550 do ciclo completo de 2017-2020.

 

Benefícios das concessões e PPPs para os Stakeholders

O crescimento das concessões e PPPs demonstra a percepção de valor positivo gerado para todas as esferas do poder público. A concessão da exploração de ativos para a iniciativa privada resolve dois desafios enfrentados pela administração pública:

  1. A incapacidade do governo de realizar os investimentos necessários para expandir o atendimento à população e modernizar os ativos;
  2. A necessidade de concentrar esforços em áreas prioritárias da gestão pública.

 

Os impactos dessas concessões e PPPs podem ser altamente positivos para todos os stakeholders:

  • Poder público: melhora os serviços prestados à população por meio do destravamento de investimentos e modernização da operação, garantindo maior eficiência no cumprimento dos objetivos sociais;
  • Setor privado: oferece oportunidades de investimento e diversificação de recursos;
  • População: se beneficia de serviços públicos com maior eficiência, investimentos e modernização.

 

Distribuição de risco nos projetos de concessões e PPPs

Atualmente, os dois modelos mais adotados no Brasil são as concessões plenas e as PPPs. Nos editais de concessão plena, a receita proveniente da exploração comercial do ativo (tarifária e acessória) deve ser suficiente para financiar a operação, os investimentos necessários e garantir a rentabilidade dos investidores.

 

Por outro lado, as PPPs recebem parte ou toda a receita diretamente das contraprestações do poder público, uma vez que a receita de exploração sozinha não é suficiente para a autonomia do ativo.

 

Nas concessões plenas, o risco da operação é transferido para as concessionárias, que são responsáveis por gerar a receita prevista. Já nas PPPs, há uma garantia de receita mínima por parte do poder concedente, mas isso expõe o projeto a maiores riscos financeiros e jurídicos, vinculados ao ente público.

 

 

Critérios para escolha do vencedor em uma licitação

Nos editais de concessões plenas, o vencedor geralmente é determinado pela empresa que oferece a maior outorga (valor pago pelo direito de exploração do ativo) ou o maior desconto sobre a tarifa base do serviço oferecido, podendo haver uma combinação de ambos.

 

Para o poder público, a escolha da outorga proporciona uma infusão imediata de caixa, utilizada para alívio financeiro ou realocação de investimentos. Já o desconto na tarifa beneficia diretamente a população, que paga menos pelos serviços.

 

Nas PPPs, o critério mais comum é o maior desconto sobre a contraprestação oferecida pelo poder concedente.

 

Como são originados os projetos de concessão e PPP?

Os estudos para o lançamento de editais podem começar tanto pela iniciativa pública quanto privada, comumente através do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). Nessa fase, são coletados estudos de viabilidade, como modelos de negócio, projeções de demanda, receitas, OPEX¹, CAPEX², entre outros. Esses estudos podem ser usados total ou parcialmente na elaboração do edital de licitação.

 

– Leia também: Reequilíbrio econômico-financeiro do contrato: o que é, quando aplicar e como garantir contratos sustentáveis

 

Avaliação financeira dos projetos de concessão e PPP

Os projetos de concessão e PPP são avaliados financeiramente através de fluxos de caixa projetados no edital de licitação, considerando os custos operacionais (OPEX) e os investimentos em capital (CAPEX).

concessões no Brasil

No exemplo citado, trata-se de uma concessão plena, com o critério de maior outorga oferecida. A outorga sugerida, de R$ 300 milhões, é dimensionada para alcançar uma meta que oferece aos investidores uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. A Taxa Interna de Retorno (TIR), de 9,70% ao ano, representa a rentabilidade anual média do investimento ao longo dos 10 anos de operação. Esse retorno é definido pelo poder concedente (um input). Já o valor da outorga de referência é o output do estudo financeiro.

 

Os cálculos do exemplo, comumente adotados em editais de concessões públicas, se baseiam no Free Cash Flow to Firm (FCFF). O FCFF representa a geração de caixa disponível para acionistas e credores. A adoção desse método demonstra a intenção do poder público de transferir os benefícios e riscos da alavancagem para a concessionária privada, já que as projeções financeiras do edital desconsideram o fluxo de caixa de financiamento.

 

As estimativas financeiras presentes no edital são encaradas pelas empresas interessadas como um ponto de partida. Cada empresa realiza seus próprios estudos, considerando sua expertise no setor, otimização da operação, eficiência na implantação do CAPEX e capacidade de financiamento.

 

Continue a leitura e aprofunde no tema: Análise financeira em concessões públicas: como ser competitivo em leilões de infraestrutura

 

¹ OPEX: Operational expenditure, referente aos custos e despesas da operação.
² CAPEX: Capital expenditure, referente aos investimentos necessários para a operação e maturação do ativo.

Quer saber mais sobre o tema? Confira nossa série de artigos no LinkedIn.
Precisa de assessoria financeira para participar de licitações e projetos de infraestrutura? Fale com a Crescento!

crescento pessoa jurídica

CFO as a Service: o que é, como saber se sua empresa precisa e como contratar

CFO as a Service: o que é, como saber se sua empresa precisa e como contratar

 

CFO é responsável pela direção financeira de uma empresa, cuidando de todas as finanças e tomando as decisões estratégicas relacionadas ao dinheiro. No entanto, nem toda empresa possui estrutura para contratar um CFO em tempo integral. É aqui que entra o CFO as a Service, ou gestão financeira sob demanda, um modelo inovador que oferece as mesmas funções desse profissional, mas como um serviço especializado e sob demanda.

 

Quer entender mais sobre esse serviço e as possibilidades que ele pode trazer para o seu negócio? Continue lendo e descubra tudo o que você precisa saber sobre o CFO as a Service! Veja:

 

 

O que o CFO as a Service?

Assim como o profissional que ocupa esse cargo dentro de uma empresa, o CFO as a Service é responsável pela avaliação e análise dos indicadores financeiros, utilizando essas informações como base para decisões estratégicas.

 

A principal vantagem desse serviço é que ele traduz relatórios financeiros complexos em ações práticas e planos estratégicos, agregando valor à empresa e otimizando resultados.

 

Além disso, algumas consultorias que oferecem o CFO as a Service promovem reuniões periódicas com a diretoria para alinhar estratégias, ajustar planos e acompanhar resultados.

 

Mas qual a diferença entre possuir um profissional dentro de sua equipe e contratar esse serviço? Bom, o CFO as a Service irá aprimorar a gestão financeira que já existe na sua empresa, pois traz a expertise do diretor financeiro externo. E detalhe: faz isso sem o custo da contratação do profissional exclusivo para a área, que pode ser bem custosa, e dentro de alguns cenários nem tão necessária, considerando uma jornada de trabalho completa de 44 horas semanais.

 

– Leia também: FP&A: o que é e qual a importância da atividade de Análise e Planejamento Financeiro

 

Como saber se minha empresa precisa deste serviço?

Por esse cargo ser responsável por grande parte das demandas financeiras estratégicas, é imprescindível ser ocupado por alguém com alto nível de experiência na área. Ou seja, isso pode demandar um valor alto de salário, maior que a contratação de um especialista externo. Se você busca por otimizações, o CFO as a Service vai te proporcionar: 

 

  • Redução e flexibilidade nos custos: você paga apenas pelo serviço que precisa;
  • Boa gestão de riscos financeiros: mitigação de problemas antes que eles impactem o negócio;
  • Mapeamento de pontos de melhoria: identificação de gargalos financeiros e operacionais;
  • Tomada de decisão embasada: recomendações fundamentadas em análises detalhadas;
  • Elaboração de planos estratégicos: criação de estratégias para alcançar objetivos de curto e longo prazo;
  • Experiência em captação de recursos: suporte em negociações com investidores e financiamentos.

 

Após ver todas as vantagens, considera que a sua empresa precisa deste serviço? Entre em contato e converse agora com um de nossos consultores.

 

Qual o valor de um serviço de CFO as a service

Assim como a maioria dos serviços relacionados às finanças, o CFO as a Service, é personalizado. Ou seja, seu valor vai depender das demandas do negócio e seu porte. Para entender o valor do serviço para sua empresa, é necessário realizar uma avaliação.

 

Consultoria financeira com CFO as a service

Hoje, existem no mercado algumas empresas de consultoria financeira que oferecem o serviço de consultoria financeira empresarial esse serviço dentro do BPO Financeiro. E nós da Crescento somos uma delas. 

 

Nossa equipe é composta por diversos profissionais especialistas em finanças e assim entregamos um serviço completo de consultoria financeira empresarial, auxiliando nossos clientes a atingirem o objetivo esperado e muito além dele. Conheça nossa equipe e descubra como podemos transformar a saúde financeira do seu negócio.

 

Na hora de contratar, fique ligado e tenha a certeza de que está entregando a saúde financeira do seu negócio na mão de um especialista com know how e com uma proposta de trabalho alinhada ao que você acredita. 

 

– Leia também: Consultor de investimentos: o que faz e como contratar o profissional ideal

 

Banner para contato com a Crescento

Análise financeira em concessões públicas: como ser competitivo em leilões de infraestrutura

Em nosso blog sobre O Mercado de Concessões e PPPs no Brasil, abordamos como o mercado de concessões públicas desempenha um papel de protagonismo no desenvolvimento da infraestrutura no Brasil e na melhoria da prestação de serviços públicos. Listamos alguns dos principais benefícios dessas iniciativas, mapeamos a distribuição de risco entre as partes e analisamos um exemplo preliminar de fluxo de caixa típico desses editais. Neste texto falaremos sobre a análise financeira em concessões públicas.

 

É importante salientar que os números apresentados pelos estudos de viabilidade dos editais são apenas um ponto de partida para as empresas interessadas. Toda projeção financeira possui certa subjetividade e, naturalmente, os interessados no projeto podem adotar premissas divergentes.

 

Aqui você vai encontrar:

 

Matriz de risco contratual em concessões públicas

As empresas interessadas em concessões públicas, primeiramente, buscam entender o edital de concessão e se resguardar do ponto de vista jurídico e contratual. Alguns editais apresentam uma matriz de risco bem definida, especificando o responsável jurídico e financeiro por possíveis desvios em relação ao esperado. Outros são mais generalistas, mas ainda assim contêm apontamentos sobre eventuais conflitos. Compreender a distribuição de responsabilidades é essencial para uma boa gestão de risco do projeto.

 

Um exemplo disso é a concessão de operação de ônibus urbano. Nesse tipo de edital, há uma margem de desvio máximo de receita (por exemplo, “X%”). Se a receita realizada exceder o valor projetado no edital, a concessionária deve compartilhar o valor extra com o poder concedente. Caso fique abaixo, é o poder concedente quem repõe a diferença. Além disso, o poder concedente garante a correção da tarifa pelo IPCA, mesmo que a operação tenha custos atrelados a combustíveis.

 

– Leia também: Reequilíbrio econômico-financeiro do contrato: o que é, quando aplicar e como garantir contratos sustentáveis

 

Exemplo prático de matriz de risco

No exemplo acima, a concessionária tem certo grau de proteção quanto a frustrações na curva de passageiros, embora não consiga capturar todo o benefício de uma curva mais agressiva devido ao limite de 105%. No entanto, há um risco relevante atrelado ao custo do diesel, já que o IPCA cobre apenas uma parte dos custos com combustível. Por isso, é essencial que as empresas mapeiem e precifiquem os riscos envolvidos no edital.

 

Estudos de viabilidade financeira nas concessões públicas

Os estudos realizados pelas empresas interessadas em concessões são semelhantes aos conduzidos pelo poder concedente. Especialistas em projeção de demanda, estrutura de custo e operação, bem como engenheiros que elaboram os orçamentos de CAPEX, assumem premissas com certo grau de subjetividade, baseando-se, em geral, na expertise do setor.

 

Inovação como vantagem competitiva nas concessões

Um ambiente favorável à inovação tornou-se cada vez mais relevante como diferencial competitivo. Recentes avanços com a rede 5G podem gerar novas fontes de receita para concessões de iluminação pública, utilizando as estruturas como torres de transmissão. O mercado de energia livre também apresenta oportunidades para redução de custos, especialmente para empresas que são intensivas no uso de energia. Além disso, novas técnicas de engenharia e construção ajudam a reduzir perdas financeiras e de tempo durante a implementação de obras.

 

Para ilustrar como essas inovações tornam as empresas mais competitivas e aptas a oferecer propostas mais atraentes do que as previstas pelo poder concedente, vamos retomar o exemplo do nosso artigo anterior.

concessões públicas

A empresa X, ao realizar seus próprios estudos, acredita em um aumento da demanda do meio de transporte principal do ativo:

concessões públicas

Os engenheiros informaram que será possível economizar em investimentos com a infraestrutura das vias, resultando em um CAPEX necessário para o início da operação de aproximadamente R$ 630 milhões, em vez dos R$ 700 milhões previstos pelo edital.

 

Essas novas premissas são organizadas em um modelo financeiro que recalcula a projeção de fluxo de caixa. Exemplos de mudanças impactam as linhas de receita (devido à demanda) e de investimento. Contudo, as empresas geralmente adotam premissas diferentes das sugeridas pelo edital em todas as linhas do fluxo de caixa. Isso não significa que o estudo realizado pelo poder concedente esteja “errado”; são apenas visões de futuro diferentes.

 

Após a elaboração do fluxo de caixa revisado e da análise dos acionistas sobre os riscos da operação, todos concordam que a TIR (Taxa Interna de Retorno) de 9,7% ao ano sugerida pelo edital é uma taxa atrativa o suficiente para o ativo. Mantendo a TIR fixa e considerando o aumento da projeção de receita e a redução do investimento inicial, o valor da outorga que poderia ser oferecido ao poder concedente sobe de R$ 300 milhões para R$ 477 milhões.

investimentos em infraestrutura

Assumindo que estejam incluídas em sua matriz de risco contratual, as empresas serão responsáveis pela realização futura dessas projeções. Se a concessionária for muito agressiva na curva de demanda e inflar o fluxo de caixa previsto, ela assume o risco de oferecer uma outorga supervalorizada. Por outro lado, a falha em capturar uma visão de mercado favorável ou algum ganho de eficiência operacional relevante pode ser um caminho crítico para a redução da competitividade no momento do leilão. No final, tudo se resume a uma análise de risco x retorno, além da confiança e credibilidade nas suposições adotadas.

Todos os estudos mencionados abordam premissas que costumam estar presentes tanto nos estudos do poder público quanto nos privados. Entretanto, a alavancagem é uma premissa de suma importância que geralmente é considerada apenas na modelagem do ente privado. Antes de discutirmos os benefícios da alavancagem, precisamos entender os diferentes métodos de avaliação por fluxo de caixa descontado e sobre estrutura de capital.

 

Avaliação por fluxo de caixa descontado e estrutura de capital

Até aqui, tudo considera uma projeção de fluxo de caixa como base de análise e avaliação. Embora existam outros métodos de avaliação, como múltiplos ou asset based, estimar o retorno pelo fluxo de caixa descontado é o mais adequado à realidade desse setor, uma vez que os ativos apresentam uma geração de caixa previsível. Dentro da avaliação por fluxo de caixa descontado, podemos considerar três métodos diferentes, dependendo do nosso objetivo: Free Cash Flow to the Firm (FCFF), Free Cash Flow to Equity (FCFE) e Dividends Discount Model (DDM).

 

O fluxo de caixa que entra na empresa na forma de receita é reduzido pelas saídas de caixa provenientes de despesas operacionais, impostos e investimentos. O caixa restante é o disponível para pagamento de acionistas e credores e é chamado de FCFF. Essa linha é onde os editais de concessão geralmente terminam seus estudos, conforme mencionado anteriormente.

 

Uso do fluxo de caixa

O que a empresa faz com esse dinheiro? Primeiramente, paga os seus credores (capital de terceiros) com juros e/ou principal. O restante do caixa que sobra após esse pagamento é o que chamamos de FCFE, ou seja, trata-se do fluxo de caixa disponível para os acionistas – os últimos a receberem. No entanto, pagar juros aos credores possui uma vantagem para os acionistas: reduz a conta de imposto, visto que é uma despesa dedutível da base de cálculo – esse benefício é chamado de Tax Shield.

 

Vamos considerar que a empresa decida financiar 70% da somatória do CAPEX e outorga através de capital de terceiros, resultando em um desembolso de R$ 776 milhões – 70% x (630 + 477).

concessões públicas

Diferença entre TIR do FCFF e TIR do FCFE: alavancagem e critérios de aprovação de projetos

Os valores acima ilustram a diferença conceitual entre a TIR do FCFF e a TIR do FCFE, bem como o significado da alavancagem. Como o FCFF representa o fluxo de caixa disponível pré-pagamento de acionistas e credores, a TIR representa o retorno do projeto para ambos. O retorno do acionista – TIR do FCFE – é maximizado/alavancado devido ao fato de a empresa estar financiando grande parte do investimento com um custo de capital substancialmente menor que o custo de capital próprio.

 

Critério de aprovação de projetos

Como critério de aprovação de um projeto, o FCFF deve ser comparado a um custo médio de capital ponderado pela relevância de cada fonte de recurso, uma vez que esse fluxo é utilizado para pagamento de ambos credores e acionistas. Chamamos esse custo de capital ponderado de Weighted Average Cost of Capital (WACC). De forma geral, a regra de aprovação é relativamente simples: se TIR (FCFF) > WACC, o projeto tem valor positivo.

 

Já o FCFE, por se tratar do fluxo disponível para pagamento dos acionistas (pós pagamento dos credores), deve usar como critério de aprovação a comparação da TIR com o custo de capital próprio (Ke) e não o WACC. Nesse caso, se TIR (FCFE) > Ke, o projeto pode ser aceito.

 

Vantagem competitiva e distribuições aos acionistas

Uma concessionária que prevê ser capaz de montar uma operação otimizada de financiamento através de recursos de terceiros consegue também ter vantagem competitiva no momento do leilão: maximiza o retorno do acionista e, portanto, possui maior margem para aumentar o valor da outorga oferecido ao poder concedente.

 

O FCFE, entretanto, pode ou não ser efetivamente convertido em distribuições aos acionistas, visto que existem restrições para a distribuição do caixa em função da base de lucro disponível, implantação de obra ou covenants mínimos atrelados ao financiamento, por exemplo. Vamos assumir que essas restrições permitam que os dividendos só possam ser distribuídos a partir do ano 5 e que não seja permitida a redução de capital anterior ao fim da operação.

concessões públicas

A tomada de decisão pelo DDM leva em consideração o peso financeiro das restrições na distribuição de dividendos, como ilustrado pela queda da TIR de 24,3% a.a. para 15,8% a.a. Por se tratar do fluxo de caixa efetivamente distribuído aos acionistas, o critério de aprovação permanece como: se TIR (DDM) > Ke, o projeto possui valor positivo.

 

Concessões públicas e sociedades de propósito específico

Concessões públicas ou PPPs são constituídas por meio de Sociedades de Propósito Específico (SPE), e, portanto, só podem ter esta única finalidade, sendo impossibilitadas de reinvestir o caixa em novos projetos que não estejam ligados à SPE, ao contrário do que uma empresa normal poderia fazer. Logo, estimar a TIR utilizando o DDM representa a melhor métrica de avaliação para casos envolvendo projetos de concessões públicas, visto que a distribuição de dividendos é a única forma de direcionamento do fluxo de caixa disponível para o acionista.

 

Incertezas e gestão de risco

Tudo que mencionamos até aqui se trata de projeções do futuro e está cercado de incertezas, subjetividade e vieses. Ao tomar uma decisão, é essencial que os acionistas estejam cientes dos riscos inerentes ao projeto. Para isso, precisamos analisar cenários diferentes do cenário base em que acreditamos, de forma a precificar e gerenciar esse risco.

 

Assumindo agora que a taxa interna mínima que os acionistas exigem para o negócio é de 8% a.a. – ou seja, o custo de capital próprio – e estressando as duas alterações de premissas que foram feitas no estudo de caso descrito acima:

análise de sensibilidade

Na hipótese de os gerentes possuírem uma confiança alta na materialização da redução do CAPEX, se a curva de demanda tiver uma frustração de pouco mais de 5% em relação ao estimado, o projeto terá um retorno abaixo do mínimo exigido pelos acionistas. O mesmo cenário ocorre caso o CAPEX supere aproximadamente R$ 720 milhões, mesmo sem variação na curva de demanda.

 

A importância da avaliação de riscos

É essencial avaliar a relevância desse risco, mantendo sempre em mente que tendemos a ser otimistas e frequentemente enfrentamos dificuldades ao considerar cenários extremos (outlier bias). A concessionária, por exemplo, poderia reduzir o valor da outorga oferecida, precificando o risco associado ao aumento da curva de demanda e à redução do CAPEX.

 

Simulação de Monte Carlo: uma ferramenta avançada

Métricas mais engenhosas e complexas, como a Simulação de Monte Carlo, permitem a elaboração de uma curva de distribuição de probabilidades, estressando várias premissas simultaneamente. Isso resulta em um veredito como: em menos de 5% das ocorrências (combinações aleatórias), a TIR do projeto é inferior a 8%. Contudo, essas simulações também apresentam seu grau de subjetividade, dependendo de premissas de entrada, decisões de modelagem e parâmetros do modelo.

 

Cuidados após vencer o leilão

Finalmente, as empresas interessadas chegarão aos seus lances e enviarão os envelopes para o poder concedente, sendo apenas uma a vencedora que obterá o direito de exploração do ativo. E depois? Quais cuidados a empresa vencedora deve ter após o início da operação? Como lidar com desvios em relação ao plano de negócios?

Confira o conteúdo e análise completa em nosso artigo.

 

crescento pessoa jurídica

Consultoria Financeira Empresarial: tudo que você precisa saber para o seu negócio prosperar


A consultoria financeira empresarial também pode ser conhecida como um “Divisor de águas”. Afinal, ela separa as empresas com objetivos, metas traçadas e clareza do seu futuro, daquelas que vivem no escuro, sem saber se estão tendo lucro ou prejuízo, com objetivos turvos, distantes e sem perspectiva de como estarão no futuro.

Mas, antes de tudo, vou te fazer algumas perguntas e peço honestidade na hora de respondê-las. Você sabe me dizer quanto faturou nos últimos 3 meses? Como e onde é feito o seu fluxo de caixa? Sua empresa gasta mais do que ganha? Onde imagina sua empresa daqui a 5 anos? Qual é o cenário dela agora?

O financeiro é o coração de qualquer empresa. E entender o seu negócio, tendo respostas na ponta da língua e informações de fácil acesso, faz toda a diferença na hora de tomar uma decisão importante. Pensando nisso, neste conteúdo você irá entender tudo sobre a Consultoria Financeira Empresarial e como esse serviço pode potencializar a sua gestão financeira e mudar o futuro da sua empresa. 

 

O que é uma consultoria financeira e como ela impacta no seu negócio

Serviço terceirizado que tem como principal objetivo diagnosticar problemas financeiros, propondo soluções viáveis para a realidade da empresa a fim de alavancar de fato os negócios.

Através da Consultoria Financeira, os gestores e/ou sua equipe administrativa podem mudar sua forma de pensar sobre o negócio. Afinal, são capazes de tomar decisões mais certeiras para o futuro da corporação, tendo informações mais rápidas, dados mais assertivos, o que pode reduzir gastos, contribuir para uma maior previsibilidade do fluxo de caixa e muito mais. 

 

Qual o valor de uma consultoria financeira empresarial

Por ser um serviço personalizado e idealizado para cada realidade, o valor é relativo. Pode variar, por exemplo, conforme o tamanho da empresa e suas demandas. Porém, vale entender que existem duas diretrizes para esse trabalho: serviços pontuais – com início e fim definidos, e serviços contínuos – gestão financeira contínua. Para entender mais a respeito dos serviços acesse: (https://www.crescento.com.br/para-sua-empresa/

 

O que faz uma empresa de consultoria financeira

Uma empresa de consultoria financeira é responsável por apoiar a gestão financeira do seu negócio através da elaboração de projetos financeiros, incluindo análise de todos os dados do negócio, estudo de mercado e assessoria personalizada durante todo o período trabalhado. 

É considerado o verdadeiro braço-direito dos clientes, no que tange a administração financeira do negócio. Podem ser desenvolvidos por ela diversos tipos de serviços, alguns mais especializados que outros, dependendo da maturidade do negócio e do objetivo de cada gestor. Por exemplo: BPO Financeiro, Planejamento e Análise Financeira do negócio, Estudos de Mercado, Serviços de Assessoria Financeira como o apoio em Fusões e Aquisições, Reorganização Societária, Valuation, Reequilíbrio de Contrato, apoio em licitações público-privadas entre outras.

 

O que devo saber para contratar uma consultoria financeira para empresas

Escolher qual consultoria financeira é ideal para seu negócio é primordial. Mas como tomar essa decisão da melhor forma possível? 

Separamos aqui algumas dicas para ajudar você a se decidir com clareza e sem dor de cabeça:  

. Responsabilidade com processos e pessoas: priorize as empresas que tratarão o seu negócio como único, ou seja, que ofereçam serviços realmente personalizados, que mergulham na realidade do negócio para entender a dor e saber qual a melhor solução. Afinal, não existe fórmula mágica para lidar com finanças. E cada cenário e realidade precisa de uma forma de agir específica. 

. Nível de expertise na área: procure empresas que tenham variedade de clientes e contam com uma equipe especializada no assunto, Conheça nossa equipe e nossos clientes. 

. Entenda o papel da consultoria financeira: fazer uma pesquisa prévia e entender qual é o serviço que soluciona o seu problema, pode ajudar você a tomar a melhor decisão para seu negócio.

. Veja se a empresa tem especialistas no seu serviço: existem diversos serviços possíveis em uma consultoria financeira empresarial. Veja se a sua contratação conta com especialistas no serviço que você vai utilizar.

. Pesquise a metodologia e tire suas dúvidas: antes de fechar qualquer serviço, marque uma conversa com a empresa que escolheu, tire suas dúvidas e esclareça os próximos passos.

. Cuidado com o conflito de interesses: procure consultorias independentes. Há consultores que recebem comissão de determinadas fontes mediante indicação. Essa não é uma prática saudável. Procure consultores financeiros que tenham independência e possam te indicar as melhores opções reais para o seu negócio. 

Pronto, agora você já está preparado para encontrar a Consultoria Financeira ideal para sua empresa. Mas, para mais informações, você pode falar com a comunidade Crescento.

 

Quais as vantagens de uma consultoria financeira empresarial

Ter clareza nos assuntos relacionados ao dinheiro e ao futuro fazem a diferença em qualquer aspecto de nossa vida. Ainda mais quando falamos de um negócio, seja pequeno, médio e, até mesmo, de grande porte. Esse assunto permeia todos os aspectos, é o dinheiro que mantém a ideia de pé e os setores funcionando. 

Ainda não acredita em todas as vantagens desse serviço? Temos certeza que após esse tópico, você irá mudar de ideia. 

Informações rápidas, aumento de produtividade, clareza, previsibilidade de fluxo de caixa, segurança financeira e redução de gastos são apenas algumas das vantagens que o Serviço de Consultoria Financeira é capaz de oferecer a você e seu negócio. 

Além disso, auxilia você a criar um planejamento para estabelecer objetivos macros e pequenas metas para assim obter o desenvolvimento de sua empresa. Quer saber mais o que pode ser feito para sua realidade? Converse agora mesmo com um de nossos consultores.

 

Conheça os principais serviços que envolvem uma consultoria financeira

Como já citamos aqui, cada caso é um caso. Por este motivo temos diferentes serviços de consultoria financeira que atendem diferentes demandas, como:

Assessoria financeira projetos pontuais que dividimos em:

  • Assessoria: modelagem financeira, avaliação de negócios (valuation), fusões e aquisições, reorganização societária, apoio em licitações público/privadas, captação de investimento.
  • Inteligência do negócio: estudo de mercado, plano de negócios, análise de dados, precificação de produtos e serviços, planilhas e dashboards financeiros.

BPO Financeiro:

 

BPO Financeiro

Serviço que irá auxiliar em todos os processos que gerem uma empresa, além de ajudar a gerenciar as contas do negócio, o BPO Financeiro é capaz de otimizar o controle das atividades de caixa, gerando previsibilidade e apoiando a sua equipe administrativa. Além disso,   geram gráficos e relatórios completos e didáticos sobre a situação financeira para que até pessoas que não dominam o assunto possam entender e tomar decisões estratégicas a partir deles. 

Empresas de BPO Financeiro são indicadas para pequenas empresas ou empresas que possuem uma equipe administrativa reduzida. Algumas consultorias financeiras empresariais oferecem também esse serviço.

Responsável por aperfeiçoar a gestão do fluxo de caixa de uma empresa, o serviço de Tesouraria  realiza pagamentos e cobranças, classifica os lançamentos de conta, define uma rotina assertiva, cria processos financeiros e monitora o caixa. Isso tudo para entregar controle, planejamento e também previsibilidade do fluxo de caixa da empresa. 

Terceirizar a tesouraria ainda elimina a necessidade da empresa passar por processos de contratação e capacitação cansativos. Dando a certeza de um trabalho eficiente e que entregará resultados significativos já nos primeiros meses, com dados precisos e corretos. 

Ficou curioso, né? Marque uma conversa com um de nossos especialistas e saiba tudo que esse serviço pode fazer para o dia a dia de sua empresa.

 

Planejamento e Análise financeira (FP&A)

Você confia 100% nos números do seu negócio? Toma suas decisões com base nesses dados? Esse é um ponto crítico para a vida de qualquer empresa. Afinal, se você confia nos dados e eles apresentam incompatibilidade, por mínima que seja, você está correndo um grande risco de tomar decisões equivocadas que podem acarretar sérios prejuízos financeiros ao negócio. 

Complexo, né? Mas essas são as principais funções do Planejamento e Análise Financeira. Serviço desenvolvido por analistas altamente capacitados e que garante confiabilidade nos números e tomadas de decisões mais rápidas e assertivas.

A FP&A aprimora a gestão do seu negócio, entregando transparência e fornecendo informações reais por meio da elaboração de orçamento, acompanhamento do desempenho, análise de resultados e dos objetivos esperados, emissão de relatório gerenciais, dashboards inteligentes e muito mais. 

E aí, você confia nos seus dados? Adicione transparência e agilidade na rotina do seu negócio. Converse com um de nossos analistas.

 

CFO as a Service

CFO é o nome dado ao cargo de Diretor Financeiro, além da expectativa salarial alta, o ocupante do cargo deve oferecer à empresa um alto conhecimento na área de finanças e relacionamento com agentes do mercado diversas skills e, com isso, sua empresa ganha segurança em diversos aspectos do dia a dia. Ele é o cara que irá tirar análise crítica sobre os dados e conduzirá as tomadas de decisão financeiras da empresa.

Algumas empresas de consultoria financeira, como nós da Crescento, oferecem o serviço de CFO as a Service, que aprimora a gestão do negócio, agregando a expertise de um diretor financeiro, evitando a contratação de profissional exclusivo, que sem dúvida seria muito mais custosa e, por vezes, desnecessária considerando o tamanho da demanda existente.

Visando traduzir os números gerados pelo Planejamento e Análise Financeira, criando planos de ação estratégicos, agregando valor ao negócio e participando de reunião com a diretoria para validar planos e alcançar os resultados esperados.

 

Assessoria Financeira: Modelagem, Inteligência do Negócio, estudo de mercado e plano de negócios

Outra modalidade de serviço de uma Consultoria Financeira, onde o serviço é pensado a partir da elaboração de projetos financeiros, análise de dados e estudo profundo de mercado. Considerando que realidade de cada negócio é única, sendo seu maior objetivo é contribuir para realizar as melhores tomadas de decisão.

Conseguiu identificar como anda a saúde do seu negócio? Não deixe em segundo plano a organização financeira, como falamos aqui. Isso pode ser um divisor de águas para sua empresa.

 

Sua empresa está no regime de tributação mais eficiente?

Regime de Tributação

 

A escolha do regime de tributação é uma decisão estratégica importante que todo gestor deve tomar ao iniciar sua empresa. A opção escolhida terá impacto direto na eficiência tributária da empresa e na disponibilidade de recursos financeiros para investimentos. O conhecimento sobre os regimes de tributação praticados no Brasil e suas taxas é fundamental para a construção da modelagem financeira, seja qual for o objetivo da empresa.

As Deduções sobre receita e os IRPJ/CSLL que incidem sobre as empresas devem ser conhecidos e gerenciados de forma adequada para que a empresa possa manter uma posição financeira saudável. A modelagem financeira necessita do conhecimento sobre os regimes de tributação praticados no Brasil e suas taxas. Legalmente, o imposto é encarado como um direito do governo. Desta forma este valor não pertence a empresa, ela apenas atua como intermediária (veículo de arrecadação).

 

Regimes de tributação

Segundo o Código Tributário Nacional

“imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte”

Os valores arrecadados têm como fundamento atender as despesas gerais do Estado em todas suas esferas (federal, estadual e municipal). Os impostos que incidem na atividade empresarial (pessoas jurídicas) formam duas categorias: as deduções sobre receita e o IRPJ/CSLL.

• Deduções sobre receita: Incidem diretamente sobre a receita bruta, eles são cobrados do contribuinte que tem a responsabilidade por cumprir essa obrigação. São gerados simultaneamente ao fato gerador de receita. São eles: ISS, IPI, ICMS, PIS e COFINS.

• IRPJ/CSLL: São contribuições obrigatórias da empresa junto ao governo que incidem no cálculo do lucro do exercício social. Assim, em alguns casos, podem não ter relação direta com a receita bruta. São eles: IRPJ, CSLL.

Regimes de tributação no Brasil

No Brasil, existem três regimes tributários diferentes que regem as alíquotas de contribuição para as empresas: Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. A escolha do regime de tributação declarado pela empresa sempre será feita no início do ano, não podendo mudar ao longo do exercício social. Para os empresários, é preciso uma avaliação criteriosa dos benefícios de cada possibilidade, sempre visando reter a maior quantidade de caixa possível.

• O Simples Nacional

É voltado para microempresas e empresas de pequeno porte. A apuração do valor a ser pago segue o faturamento bruto da empresa nos últimos 12 meses que é pago em uma única guia – o DAS (documento de arrecadação do Simples Nacional). Este regime é limitado para empresas com faturamento anual máximo de 4,8 milhões de reais. Existem uma série de requisitos que a empresa deve cumprir para se enquadrar no Simples Nacional, confira a descrição completa dos itens no site da Receita Federal.

 

É um regime tributário com a finalidade de simplificar o pagamento de tributos. Suas alíquotas variam de 4% a 22,90%, divididas em cinco anexos que contemplam os mais variados ramos e atividades econômicas. Os anexos do simples nacional são subdivididos pela atividade da empresa, são elas: Anexo I – Comércio, Anexo II – Indústria e Anexo III, IV e V – Serviços.
O setor de serviços é distribuído em três anexos diferentes, neste caso a consulta sobre qual anexo a empresa se encaixa deve levar em conta seu CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas).

• O Lucro Presumido

Neste regime, a apuração o IRPJ e o CSLL é feita com base em uma presunção do lucro baseado na categoria na qual a empresa se encaixa. Os requisitos para optar por esta modalidade são:

i) limite de receita anual máxima de R$78 milhões

ii) não ser uma empresa de factoring

iii) não usufruir de benefícios fiscais.

 

É uma forma de tributação simplificada para estabelecer a base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das empresas. O Lucro Presumido pode ser a escolha de empresas que faturam até R$78 milhões por ano, além de, também, ser indicado para aquelas com lucro elevado e que não apresentam a obrigatoriedade de se enquadrar no Lucro Real.

No Lucro Presumido, independente do resultado obtido no período de apuração, a tributação incidirá sobre a margem prefixada. Assim, é necessário ter muita atenção, pois, se a margem de lucro efetiva for abaixo da prefixada ou até mesmo negativa, os impostos serão mensurados sobre a margem presumida.

Diferente do Simples Nacional, os impostos e contribuições são pagos em guias individuais, resultando em uma contabilidade um pouco mais complexa. Os impostos sobre a receita bruta são apurados mensalmente, o IRPJ e o CSLL são determinados por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário. Existe ainda uma apuração anual, na qual você paga um valor provisionado mensalmente e faz o fechamento anual, a partir da alíquota determinada.

• O Lucro Real

É o regime utilizado pelas empresas de grande porte e é baseado no lucro efetivo obtido no período de apuração. Se trata de um regime mais complexo, que exige uma contabilidade mais elaborada e tem alíquotas mais elevadas do que os outros regimes. Por outro lado, permite que determinadas empresas possam se beneficiar aproveitando crédito de PIS e COFINS.

 

A escolha do regime de tributação adequado pode ajudar a reduzir a carga tributária da empresa, tornando-a mais competitiva no mercado e proporcionando recursos financeiros para investimentos e crescimento. Por isso, é fundamental que o gestor avalie cuidadosamente cada regime e suas implicações antes de tomar a decisão final.

 

A Escolha do Regime de Tributação

A escolha do regime de tributação declarado pela empresa sempre será feita no início do ano, não podendo optar pela mudança ao longo do exercício social. Uma empresa só altera o seu regime tributário obrigatoriamente, por força maior no caso de  Para os empresários, é preciso uma avaliação criteriosa dos benefícios de cada possibilidade, sempre visando a maior economia tributária possível.

A modelagem financeira é uma ferramenta que permite simular fluxos futuros e definir de forma otimizada o regime de tributação mais coerente para cada ano de um projeto ou empresa. Este planejamento fiscal pode ser fundamental para que as projeções sejam positivas. 

É importante destacar que empresas enquadradas no anexo IV do Simples Nacional, no Lucro Presumido ou Lucro Real recolhem o INSS Patronal através da Guia de Previdência Social (GPS), podendo chegar ao total de 27,8% (21% patronal + 6,8% terceiros) sobre a folha de pagamento. Esse valor geralmente faz com que o Simples Nacional, na maioria das vezes, seja o regime mais vantajoso para empresas que não se enquadram no anexo IV. 

Um dos fatores que deve também ser avaliado ao escolher o regime de tributação é o gasto mensal com empresa de contabilidade. Uma empresa no Lucro Real requer muita rigidez com os registros financeiros, acarretando em um serviço mais oneroso quando comparado à empresas no Simples Nacional e no Lucro Presumido. Entretanto, empresas nos regimes Simples Nacional ou Lucro Presumido são taxadas mesmo que registrem prejuízo no período.

Já empresas no Lucro Real recebem um benefício fiscal caso registrem resultados negativos. Logo, para negócios de grande porte que possuem projeções de prejuízo no curto prazo é mais vantajoso optar pelo Lucro Real visando utilização de crédito fiscal em anos posteriores de lucro. Outro fator positivo para as empresas no Lucro Real é o desconto relativo à dívidas. Como o valor absoluto é calculado após o abatimento das despesas financeiras, ao contrair uma dívida a empresa reduz a base de cálculo para IRPJ e CSLL. Esse benefício tributário é levado em conta para analisar a possibilidade da empresa se financiar através de capital próprio ou de terceiros e é conhecida como tax shield. 

Já para grandes empresas (com faturamento anual abaixo de R$78 milhões) com melhores margens faz mais sentido optar pelo Lucro Presumido, já que a base presumida de lucro tende a ser menor que o lucro real apurado antes do IRPJ/CSLL.

(bônus) Benefícios para o setor de infraestrutura

As deficiências da infraestrutura representam um dos grandes gargalos ao crescimento econômico do país. Reconhecendo a importância do tema, o Poder Público vem instituindo benefícios fiscais às empresas que invistam no incremento dos setores energético, de transportes de passageiros e de cargas, de saneamento básico, de irrigação e, atualmente, do segmento esportivo, turístico e de serviços.

Dos incentivos fiscais federais existentes, podemos citar:

  • REIDI
  • REPENEC
  • SUDENE

De modo geral, os incentivos buscam reduzir ou zerar os impostos federais. Os incentivos podem ser aplicados através dos impostos sobre a receita oriunda da venda de equipamentos e serviços destinados a pessoas jurídicas habilitadas ao incentivo ou através da redução dos impostos a pagar por ela. Além da obrigatoriedade da empresa optar pelo Lucro Real para a solicitação do incentivo fiscal, a sua aplicação está sujeita a região do país em que a empresa está instalada e a diversas outras condições precedentes.

Como tomar a melhor decisão?

A regra é clara, mas o cenário pra tomada de decisão é incerto. Neste momento, uma boa modelagem do negócio te coloca em um cenário mais seguro e mitiga o risco de escolhas equivocadas. Nós queremos te ajudar a tomar melhores decisões financeiras. Saiba mais aqui.

Qual o papel de um time financeiro na tomada de decisão estratégica?

Com os diversos desafios que uma startup enfrenta, o financeiro geralmente é deixado em segundo plano devido aos empreendedores estarem focados na formação de uma boa equipe de sales e desenvolvedores, visando obter melhorias no produto e aumento das vendas. 
  
Mas o que um departamento financeiro de qualidade e bem estruturado pode trazer de benefícios? 
 
✅ #1 Otimização de agenda dos founders 
Um dos principais desafios dos líderes é otimizar a agenda para estarem focados no que gera valor para o negócio. 
 
Um departamento financeiro estruturado evita reuniões improdutivas e desperdício de tempo com retrabalho para validação das informações financeiras. 
 
✅ #2 Previsibilidade do fluxo de caixa 
A previsibilidade se torna importante para evitar surpresas indesejáveis no gerenciamento de fluxo de caixa e também para que os empreendedores planejem com antecedência qual a melhor estratégia para captação de recursos em um momento de dificuldade e/ou necessidade de capital para expansão. 
  
✅ #3 Correção de trajetória com agilidade  
Correções na estratégia são comuns e precisam ser feitas de forma ágil pelos líderes. Com uma equipe qualificada, é possível analisar de demonstrações financeiras e indicadores que possuem informações vitais para a tomada de decisão de forma rápida. 
 
✅ #4 Avaliação de novos produtos e projetos 
Normalmente as startups têm por característica pivotar linhas de negócio, sendo importante ter uma equipe qualificada para avaliar de forma célere a viabilidade ou não do projeto. 
 
✅ #5 Análise tributária e de benefícios fiscais 
Uma das principais análises de eficiência tributária a serem feitas é a escolha do regime de tributação – Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. A escolha deve ser embasada pela projeção financeira de resultados e por uma análise de sensibilidade estressando os principais drivers da projeção. 
 
Além disso, o conhecimento e análise de benefícios fiscais pode ser muito importante para a redução da carga tributária, sendo que alguns incentivos são pensados diretamente para startups, como a Lei do Bem e Lei da Informática. 
  
✅ #6 Qualidade dos reports 
A assertividade de um report financeiro depende de: 
 
 Qualidade dos inputs: relacionado com a diligência e boas práticas nos lançamentos financeiros. 
 
➣ Rastreabilidade: todos os números devem ter base de dados confiável que permita formular justificativas que embasem as discussões. 
 
➣ Análise: mesmo com números confiáveis e rastreáveis, é necessário que o analista saiba separar quais dados são importantes e que efetivamente façam diferença na tomada de decisão. 
 
Com isso os empreendedores se sentem mais seguros ao tomarem decisões estratégicas para o negócio, visto que há clareza sobre a performance atual e embasamento para justificar planos futuros de crescimento. 
 
Além disso, relatórios periódicos e precisos aproximam os investidores do negócio, reforçando uma relação de confiança mútua. 
 
Crescento 
A gente valoriza o seu negócio.